quarta-feira, maio 28, 2008

O planeta tem pressa

Até mesmo os mais incrédulos já concordam: a temperatura da Terra está subindo e a maior parte do problema é provocada por ações do homem, como a queima de combustíveis fósseis. Ainda persistem divergências acerca do tamanho do impacto sobre a vida humana. As soluções também são controversas. VEJA listou 50 perguntas e respostas que vão ao centro da questão.
Fonte: Revista Veja

Nova cartilha do aquecimento global

"Perguntas e respostas sobre aquecimento global” tem linguagem acessível e foi desenvolvida pelo IPAM para conscientizar a população sobre as mudanças climáticas. Além da versão impressa, o conteúdo da cartilha pode ser baixado gratuitamente pela internet

Termos como efeito estufa, mudanças climáticas e aquecimento global, apesar de serem incansavelmente repetidos ultimamente, são bastante recentes para a humanidade. Até porque, as transformações na atmosfera terrestre têm ocorrido mais drasticamente em função do modelo de desenvolvimento que as sociedades adotaram nos últimos 150 anos.

Por isso, muita gente ainda são sabe exatamente o que essas palavras querem dizer. Em forma de perguntas - 32 ao todo - a cartilha desenvolvida pelo IPAM - Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, em parceria com a WHRC - Woods Hole Research Center, traz informações que procuram esclarecer essas dúvidas, além de fornecer dados sobre o assunto e apresentar nomes como Protocolo de Quioto, IPCC - Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas e MDL - Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.

Pelo fato de o desmatamento ser um dos grandes vilões para o aumento do efeito estufa, o tema é bastante enfatizado na cartilha, que chama atenção especial para o futuro da Amazônia. Como alerta o professor de física, Paulo Artaxo, no prefácio de Perguntas e Respostas sobre Aquecimento Global, "o pior uso que podemos fazer deste riquíssimo ecossistema é queimá-lo, transformando sua rica biodiversidade em gases de efeito estufa".

Os leitores também são convidados a fazer a sua parte na contenção das mudanças climáticas e a entender a importância do papel do Brasil nesse desafio. Ao final, há indicação de vários sites para quem quiser se aprofundar no assunto.

Escrita de forma didática, a cartilha pode ser facilmente compreendida por adultos e crianças e está disponível para download gratuito na biblioteca do site do IPAM.

Para adquirir a versão impressa basta ligar: (61) 3349-3698.

quinta-feira, maio 22, 2008

Biocombustíveis

Biocombustível é qualquer combustível de origem biológica, que não seja de origem fóssil. É originado de mistura de uma ou mais plantas como: cana-de-açucar, mamona, soja, cânhamo, canola, babaçu, lixo orgânico, entre outros tipos.

São considerados biocombustíveis, no âmbito do decreto-lei nº 62/2006 de Portugal (decreto-lei que transpõe para a Directiva n.º 2003/30/CE e cria mecanismos para promover a colocação no mercado de quotas mínimas de biocombustíveis, prevê dez tipos) os produtos:

Bioetanol: etanol produzido a partir de biomassa e ou da fracção biodegradável de resíduos para utilização como biocombustível;

Biodiesel: éster metílico e/ou etílico, produzido a partir de óleos vegetais ou animais, com qualidade de combustível para motores diesel, para utilização como biocombustível;

Biogás: gás combustível produzido a partir de biomassa e ou da fracção biodegradável de resíduos, que pode ser purificado até à qualidade do gás natural, para utilização como biocombustível, ou gás de madeira;

Biometanol: metanol produzido a partir de biomassa para utilização como biocombustível;

Bioéter dimetílico: éter dimetílico produzido a partir de biomassa para utilização como biocombustível;

Bio-ETBE (bioéter etil-terc-butílico): ETBE produzido a partir do bioetanol, sendo a percentagem em volume de bio-ETBE considerada como biocombustível igual a 47%;

Bio-MTBE (bioéter metil-terc-butílico): combustível produzido com base no biometanol, sendo a percentagem em volume de bio-MTBE considerada como biocombustível de 36%;

Biocombustíveis sintéticos: hidrocarbonetos sintéticos ou misturas de hidrocarbonetos sintéticos produzidos a partir de biomassa;

Biohidrogénio: hidrogénio produzido a partir de biomassa e ou da fracção biodegradável de resíduos para utilização como biocombustível;

Óleo vegetal puro produzido a partir de plantas oleaginosas: óleo produzido por pressão, extracção ou processos comparáveis, a partir de plantas oleaginosas, em bruto ou refinado, mas quimicamente inalterado, quando a sua utilização for compatível com o tipo de motores e os respectivos requisitos relativos a emissões.


Fonte: Wikipedia

Soja, Amazônia e Biocombustíveis

A soja é a fonte mais barata de proteína do mundo. O complexo soja ocupa o primeiro lugar na nossa pauta de exportações, gerando tecnologia, riqueza e empregos do Rio Grande do Sul ao Maranhão.

O crescimento da demanda mundial dos biocombustíveis provocou uma expansão da soja nos cerrados brasileiros, gerando conflitos entre ministérios, produtores, indústrias e ONGs ambientalistas. A acusação central é que a soja seria um dos principais vetores da destruição da floresta amazônica. Uma verdadeira guerra de mapas e fotos de impacto ganhou espaço na mídia internacional. Algumas ONGs adotaram a estratégia de tentar convencer compradores europeus de grãos e empresas como a McDonald's de que, ao comprar produtos derivados da soja brasileira, estariam promovendo a destruição da floresta.

Basta estudar um pouco a matéria para verificar que a caótica ocupação da floresta não se origina da soja, mas sim da indefinição de direitos de propriedade, da ausência de fiscalização e do corte ilegal de madeira, que prospera na região. Quase metade da Amazônia Legal é formada por terras devolutas, sujeitas a constantes invasões de posseiros e grileiros, que desmatam a floresta para garantir a posse. Em 2005, a soja ocupou apenas 1,4% da área da Amazônia Legal e ínfimos 0,3% do bioma amazônico. Costuma-se fazer muita confusão entre bioma amazônico e Amazônia Legal. Esta última é apenas uma construção jurídica criada com objetivos fiscais no governo Getúlio Vargas, em 1953, que abarca nove Estados, 61% do território nacional e oito diferentes biomas. 80% da soja produzida na Amazônia Legal é oriunda de áreas de cerrado de Mato Grosso.

Ao contrário do que se costuma dizer, a soja melhora a qualidade dos solos e o padrão de vida das comunidades aonde chega. Graças à sua capacidade de fixar nitrogênio no solo, a soja aumenta a produtividade da agricultura e das pastagens. A integração lavoura-pecuária já é um novo paradigma em marcha na agricultura brasileira. Além disso, a soja utiliza mais insumos e gera mais empregos que outras atividades. O padrão de vida dos municípios onde se cultiva a leguminosa é visivelmente superior, o que pode ser comprovado na listagem das cidades com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Outra acusação freqüente é o fato de a soja representar uma monocultura em expansão. Este problema advém de dois fatores alheios à vontade do produtor: a precariedade da infra-estrutura de escoamento e o protecionismo mundial. Acontece que a principal cultura que deveria fazer rotação com a soja é o milho, que, contudo, se inviabiliza pelo maior custo proporcional do seu frete para a exportação.

Ao mesmo tempo, o protecionismo impede o Brasil de diversificar e adicionar valor aos produtos exportados. Soja e café em grãos são mercados abertos no mundo. Já os óleos vegetais, as carnes e os lácteos são dominados por altas tarifas, não raro acima de 100%, escaladas tarifárias, cotas de importação, salvaguardas e barreiras não-tarifárias. Não houvesse o protecionismo e os problemas de infra-estrutura, o Centro-Oeste mostraria uma paisagem muito mais diversificada e ambientalmente equilibrada, composta por produtos de maior valor adicionado dirigidos à exportação.

Vale ainda lembrar que os subsídios para conservação, abandono de cultivo ou plantio de florestas somam US$ 2,6 bilhões ao ano nos EUA e 6,6 bilhões na União Européia. Já no Brasil, os produtores são obrigados a manter como reserva legal 20% da área das suas propriedades no Sul e no Sudeste, 35% no cerrado e 80% na floresta amazônica, sem nenhum incentivo financeiro do governo.

Apesar de todos estes fatos, nas últimas semanas agentes da cadeia da soja deram passos decisivos na direção de um maior desenvolvimento sustentável do setor. No dia 24 de julho, as indústrias processadoras e os exportadores de soja resolveram adotar uma inédita "moratória" de dois anos durante os quais não se vão comercializar grãos oriundos de novas áreas desflorestadas no bioma amazônico. Elas se propuseram também a buscar meios para que os produtores a cumpram com a legislação em vigor e a estudar novas regras de conduta para operar naquela região. Pesquisadores do renomado Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) afirmaram que essa foi uma medida histórica inigualável na Amazônia, que inaugura a fixação de critérios privados de conduta, que deverão produzir resultados muito mais eficientes do que os obtidos pela precária estrutura de fiscalização.

Na semana passada, representantes de produtores, indústrias, ONGs e governos se reuniram em Assunção no 2º Fórum Global sobre Soja Responsável (RTRS). A reunião resultou na criação de uma entidade independente que vai desenvolver princípios, critérios e indicadores para equilibrar desenvolvimento econômico, eqüidade social e sustentabilidade ambiental na produção mundial de soja, à semelhança do Forest Stewardship Council (FSC), da área florestal, e da Mesa Redonda sobre Óleo de Palma Sustentável (RSPO).

É certo que numa ponta ainda há produtores que, por ignorância ou má-fé, desmatam sem nenhum critério, passando por cima da legislação brasileira, da diversidade biológica e do bom senso. Na outra ponta, ainda há grupos radicais que insistem em manter a região intacta, sem levar em conta que há 23 milhões de pessoas vivendo numa área que carece de leis coerentes, direitos de propriedade e fiscalização. A única maneira de promover o desenvolvimento sustentável da Amazônia é o diálogo maduro e construtivo, despojado de ideologias e preconceitos. Um esforço concentrado para, de um lado, tentar gerar valor para a floresta em pé e, do outro, estabelecer princípios e critérios para o desenvolvimento sustentável da agropecuária, envolvendo diferentes órgãos do governo, ONGs e todos os segmentos das cadeias produtivas.

Marcos Sawaya Jank, professor da FEA-USP, é presidente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone). Negociações Internacionais (Icone). E-mail: msjank@usp.br

Fonte:

Leia ainda:
O AVANÇO DA SOJA E A QUESTÃO FUNDIÁRIA NA AMAZÔNIA: O CASO DO BAIXO AMAZONAS

Editorial do Estadão sobre a soja na Amazônia

No Brasil, Biocombustível tem compromisso social

Quando criou o programa de biocombustível, o governo brasileiro não se voltou apenas à produção de energia, mas também ao seu viés social – o cultivo das fontes renováveis para produção de energia levaria a rincões distantes a oportunidade de trabalho e renda. A parceria entre indústria produtora de biocombustíveis e a agricultura foi tema da fala do coordenador do Programa Brasileiro de Biodiesel, Carlos Cristo, na abertura da mesa redonda “Bionergia – Potenciais e desafios na Indústria”, durante o Fórum Global de Energias Renováveis, que prossegue até o meio-dia desta quarta-feira, no Hotel Bourbon, em Foz do Iguaçu.

Para reforçar a questão social dos biocombustíveis, Cristo citou o caso da Brasil Ecodiesel, uma das maiores produtores de biodiesel do Brasil, que fechou um recente acordo de concessão de terras com o governo do Piauí. A empresa investiu em infra-estrutura, construindo casas para 700 famílias, escola para 1500 crianças, além de postos de saúde. Essas pessoas trabalham no cultivo da matéria-prima e terão garantida a titularidade da terra após dez anos de trabalho, quando termina o período de concessão das áreas para empresa.

“O projeto tem um significado social fantástico”, enfatizou Cristo. Ele acredita ser importante que as questões sociais pesem na certificação das empresas e também na valorização do produto final. “É importante mostrar à Europa sobre a preferência em importar um produto com compromisso social.”

Também para Semilda Silveira, chefe da Divisão de Estudos Climáticos e Energia da Escola de Administração e Engenharia Industrial, da Suécia, o viés social deve prevalecer em toda a escala de produção da bioenergia. “Tradicionalmente as indústrias têm se preocupado apenas com os produtos finais e não com a parte inicial da produção”, afirmou. Silveira focou sua apresentação na questão do campo, e mostrou a situação da bioenergia na Suécia.

O caso da Suécia é exemplar. De 1970 a 2005, apesar do aumento da qualidade de vida dos habitantes, foi mantido o mesmo gasto per capita de energia. “Isso significa que aumentamos a eficiência energética”, afirmou. Além disso, com exceção do setor de transportes, todos os outros utilizam predominantemente energias renováveis. Um caso único na Europa.

Na visão de Semilda, os países devem compartilhar tecnologia para melhorar a produtividade no campo. Na África Subsaariana, por exemplo, a produção é de um terço da média mundial, o que torna inviável tanto o cultivo de comida quanto o de matéria-prima para os biocombustíveis.

Cooperação tecnológica - Investimento em tecnologia aumentaria a participação das energias renováveis nas matrizes dos países. Para Pradeep Monga, chefe da Unidade de Energia Renovável e Rural do Onudi, até 2020, com o reforço tecnológico será possível que as fontes renováveis tenham uma participação de 30 a 40% na matriz energética mundial.

Segundo ele, a maior parte da energia consumida pelo setor industrial é utilizada para processos de aquecimento (com nos setores têxteis e de celulose) - 80% em processos que dependem de meros 80ºC de aquecimento. “Essa energia poderia ser suprida pela fonte solar. O restante pode utilizar a biomassa”, disse.

A cooperação entre os países permitiria um avanço na produção de bioenergia, acredita Arnaldo Walter, no Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Energéticas (Nipe), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Com a cooperação Norte-Sul há difusão de conhecimento, permitindo que os países pobres passem a produzir energia e se desenvolver e não meramente fornecerem matéria-prima.

Fonte: Itaipu

quarta-feira, maio 21, 2008

Adeus à gasolina?

Preocupações com o aquecimento global e com o aumento constante no preço do petróleo têm forçado as montadoras a buscar novas alternativas de combustível para os carros. Conheça as tecnologias mais promissoras

ELÉTRICO
Como funciona: o carro tem um motor elétrico movido a baterias, que podem ser carregadas na rede elétrica convencional. Alguns modelos usam baterias de íon-lítio, semelhantes às usadas em laptops
Vantagens: pode ser abastecido em praticamente qualquer lugar, basta haver energia elétrica disponível; o carro não emite gás carbônico
Desvantagens: o tempo de abastecimento das baterias é longo; a autonomia do carro é pequena

HÍBRIDO
Como funciona: o carro tem dois motores. Um é convencional, de combustão interna, abastecido com gasolina, e o outro é elétrico, alimentado por baterias. É o motor elétrico que fica em contato com as rodas de tração. O motor a combustão só é acionado em situações em que o carro exige mais esforço ou quando as baterias descarregam. Há dois tipos de híbridos, um cujas baterias são alimentadas pela rede elétrica, chamado de plug-in, e outro em que as baterias são recarregadas quando o motor a combustão é acionado
Vantagens: os híbridos têm uma autonomia superior à dos carros elétricos; podem ser abastecidos com facilidade
Desvantagens: os híbridos que não são plug-in podem gastar tanta gasolina quanto um carro convencional; portanto, ele não é um automóvel totalmente limpo

CÉLULA DE COMBUSTÍVEL(hidrogênio)
Como funciona: o carro é movido por um motor elétrico alimentado com energia produzida numa célula de combustível. Essa célula é abastecida com hidrogênio em estado gasoso e, nela, há uma reação química que produz energia elétrica e libera água
Vantagens: não há emissão de dióxido de carbono, apenas de água; o carro pode ser abastecido rapidamente; tem autonomia maior que a dos carros elétricos
Desvantagens: ainda não há hidrogênio disponível nos postos; a célula de combustível ainda é muito cara

DIESEL OU ÁLCOOL
Como funciona: os carros têm os convencionais motores a combustão interna
Vantagens: os veículos são facilmente abastecidos e conseguem um desempenho semelhante ao dos carros a gasolina, mas poluem menos.Os carros a diesel ganharam novos motores, menos poluentes e mais eficientes. O combustível também foi alterado para ter menor teor de enxofre.Os carros a álcool têm a vantagem de rodar com um combustível limpo, que emite pequena quantidade de dióxido de carbono
Desvantagens: os carros a álcool rendem menos e os veículos a diesel perdem eficiência em baixa velocidade

AS INOVADORAS

Dispostas a arriscar, empresas pequenas têm se mostrado um importante laboratório de inovações tecnológicas para o carro do futuro. Conheça algumas companhias e seus modelos:

LOREMO
País Alemanha
Carro Loremo
Como define seu nome (um acrônimo das palavras low resistance mobile, ou veículo de baixa resistência), o carro é feito de materiais ultraleves, que permitem grande economia de combustível. Com 2 litros de diesel, o Loremo pode rodar 100 quilômetros.Aempresa espera produzir 10000 unidades do carro por ano, com preços variando entre 15 000 e 20 000 euros.

FISKER
País Estados Unidos
Carro Fisker Karma
Apresentado no salão de automóveis de Detroit no início de janeiro, o carro é um sedã de luxo que tem boa parte da estrutura metálica feita de alumínio para reduzir seu peso. O motor é híbrido plug-in, acelera de 0 a 100 km/h em 6 segundos e atinge a velocidade máxima de 200 km/h. Os primeiros modelos devem ser vendidos a partir do final de 2009 por 80 000 dólares.

APTERA
País Estados Unidos
Carro Typ-1
A base da eficiência do carro são sua aerodinâmica e o motor elétrico. Ele tem apenas três rodas e uma estrutura metálica feita por um designer de pranchas de bodyboarding. Com energia equivalente a 1 litro de combustível, o carro pode percorrer 143 quilômetros.

TESLA MOTORS
País Estados Unidos
Carro Tesla Roadster
O carro é um esportivo elétrico para dois passageiros, com autonomia de 350 quilômetros. Serão produzidas 2 000 unidades do automóvel por ano, com o preço de 100 000 dólares cada um.A empresa espera lançar um modelo sedã em 2010, com produção estimada em 10 000 unidades


ELES SE RENDERAM

A busca da indústria automotiva por carros mais verdes não tem limites. No Salão de Detroit, carros ícones da velocidade e da potência — sinônimo de alto consumo de combustível — foram apresentados em versões menos agressivas ao meio ambiente

FERRARI F430
Ainda um protótipo, o F430 Spider Biofuel roda com E85, um composto com 85% de etanol

HUMMER HX
O carro da GM, que tem design de jipe de guerra, ganhou uma versão bicombustível com tamanho menor


AS APOSTAS DAS GRANDES

As maiores montadoras do mundo atravessam um momento decisivo: além de conquistar novos mercados, têm de lidar com a pressão do mercado por carros verdes. Veja a situação das seis maiores:

GENERAL MOTORS
Faturamento 207,3 bilhões de dólares
Vendas 9,3 milhões de veículos
Resultados 1,9 bilhão de dólares de prejuízo
Apostas A GM vai começar a produzir até 2010 o híbrido plug-in Chevrolet Volt. Em janeiro, a empresa anunciou uma parceria para produzir etanol
Faturamento e resultados referentes a 2006. Dados de vendas referem-se ao período de 12 meses até setembro de 2007

FORD
Faturamento 160,1 bilhões de dólares
Vendas 6,4 milhões de veículos
Resultados 12,6 bilhões de dólares de prejuízo
Apostas A empresa criou a tecnologia EcoBoost, que permite economia de combustível de até 30% e redução de 15% nas emissões de CO2
Faturamento e resultados referentes a 2006. Dados de vendas referem-se ao período de 12 meses até setembro de 2007

RENAULT-NISSAN
Faturamento 141,8 bilhões de dólares
Vendas 6,1 milhões de veículos
Resultados 7,6bilhões de dólares de lucro
Apostas Em 2007, a Nissan lançou o híbrido Altima.ARenault está desenvolvendo carros com baixa emissão de gás carbônico
Faturamento e resultados em 2006 (Renault) e no ano fiscal até 31 de março de 2007 (Nissan).Vendas estimadas para 2007

TOYOTA
Faturamento 202,8 bilhões de dólares
Vendas 9,3 milhões de veículos
Resultados 13,9 bilhões de dólares de lucro
Aposta Em 1997, a Toyota lançou o Prius, primeiro carro com sistema híbrido. Mais de 1 milhão de unidades já foram vendidas em todo o mundo
Faturamento e resultados referem-se ao ano fiscal terminado em 31 de março de 2007.Vendas referentes a 2007

VOLKSWAGEN
Faturamento 138,2 bilhões de dólares
Vendas 6,2 milhões de veículos
Resultados 3,6 bilhões de dólares de lucro
Apostas A empresa tem planos de desenvolver um tipo de carro com tamanho menor e de lançar modelos híbridos para as marcas Polo e Golf
Faturamento e resultados referentes a 2006. Dados de vendas referem-se a 2007

HONDA
Faturamento 93,9 bilhões de dólares
Vendas 3,9 milhões de veículos
Resultados 5bilhões de dólares de lucro
Aposta A empresa criou um carro movido a célula de combustível, o FCX Clarity. Ele será comercializado neste ano na Califórnia, num sistema de leasing
Faturamento e resultados referem-se ao ano fiscal terminado em 31 de março de 2007. Vendas estimadas para 2007

Fontes: empresas e Organização Internacional dos Construtores de Automóveis (Oica)


Por Sérgio Teixeira Jr. com reportagem de Denise Dweck
Revista Exame - 30/01/2008

Fonte:

O Fantasma de Malthus

A alta do preço dos alimentos assusta, mas não condena o mundo à fome

A idéia de um mundo famélico, à beira do colapso, assombra a humanidade desde que o economista e demógrafo inglês Thomas Malthus (1766-1834) previu, no século XVIII, que no futuro não haveria comida em quantidade suficiente para todos. Sua teo-ria não se confirmou, mas volta e meia assusta. Foi quase em uníssono que, nas últimas semanas, os principais organismos internacionais - a Organização das Nações Unidas (ONU), o Banco Mundial (Bird) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) - chamaram atenção para a gravidade dos problemas decorrentes da alta dos alimentos. No último ano, os preços subiram 57%. Isso em média, porque o trigo, por exemplo, subiu 130% (veja o quadro). Para as pessoas que vivem no limiar da miséria, pode significar a fome. O Banco Mundial previu que 100 milhões de pessoas poderão submergir na linha que separa a pobreza da miséria absoluta devido ao encarecimento da comida.



O debate ecoou com força no Brasil porque, na semana passada, o representante especial da ONU para o direito à alimentação, Jean Ziegler, declarou que a culpa da fome mundial é dos biocombustíveis. Trata-se de um "crime contra a humanidade", disse Ziegler. Como o etanol é uma prioridade do governo brasileiro, o presidente Lula reagiu. Acusou Ziegler de não conhecer a realidade brasileira, o que é verdade. O sociólogo suíço é um socialista radical que há muito tempo anda dando botinadas no etanol sem compromisso com os fatos. Ele nem mesmo se aproximou do que realmente importa nessa discussão.

O ponto central, como registrou a revista inglesa The Economist, é que os alimentos alcançaram um novo patamar de preços, o mais alto dos últimos trinta anos. Eles podem baratear um pouco, mas não voltarão aos níveis do fim dos anos 70. O mundo está migrando para uma nova realidade, e a transição está sendo mais longa e difícil do que se previu. O problema tornou-se crítico agora porque vários fatores adversos ocorreram simultaneamente e afetaram a produção. Os estoques reguladores entraram então no nível mais baixo das últimas três décadas. Entre as diversas causas (como ilustra o quadro), a mais importante é que o mundo está comendo mais.

O aumento da demanda se deu principalmente na China, na Índia e no Brasil, as economias emergentes que lideram o movimento de alta no padrão de consumo de suas populações. Juntos, os três países têm mais de um terço dos habitantes do planeta. Uma mudança de padrão de consumo é suficiente, portanto, para uma alteração significativa na economia global. No ano passado, a China expandiu seu produto interno bruto (a soma das riquezas produzidas no país) em 11,4%. A Índia cresceu 9,6%. Não foi só isso. Além de comer mais, a população desses países está se tornando mais urbana. Ou seja, deixou de produzir o próprio alimento para comprá-lo no supermercado, o que torna necessário que se produza mais comida em larga escala para atender às cidades.

O crescimento da renda dos trabalhadores nesses países fez com que mudassem seus hábitos de consumo e, por conseqüência, sua dieta. Trocaram carboidratos por mais proteínas no cardápio. Basicamente carne, leite e queijos. Entra aí uma conta curiosa. Para produzir 1 quilocaloria de carne (é essa a unidade de medida de energia dos alimentos) são necessários entre 8 e 10 quilocalorias de vegetais, pois é quanto o gado precisa comer para engordar. Portanto, é um equívoco afirmar que os biocombustíveis são os vilões da situação atual. Ao generalizar, Ziegler não diferencia, por exemplo, o etanol brasileiro, produzido a partir da cana, do americano, que usa o milho como matéria-prima. "Muitos produtores de soja e trigo migraram para o milho em decorrência dos incentivos governamentais ao etanol, o que afetou os preços", afirma a economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ana Cecília Kreter.

Apesar de tantos fatores a empurrar para cima o preço dos alimentos, é preciso dizer que as notícias não são exatamente ruins quando se pensa no futuro da humanidade. "Em alguns países, produzem-se alimentos suficientes para toda a população nacional e para exportação. Então a questão não é o tamanho da população, mas a tecnologia que está sendo usada e o investimento que está sendo feito", disse a VEJA o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf. As previsões catastrofistas desprezam o fato de que os avanços da tecnologia agrícola poderão prover grandes aumentos de produtividade nos próximos anos. E que as nações ricas poderão eliminar barreiras e subsídios que sufocam a produção nos países pobres. Antes de culpar os biocombustíveis, portanto, é preciso gastar energia em debater os pontos certos.


UMA SAFRA DE RAZÕES
A escalada do preço dos alimentos tem cinco causas principais, das quais duas podem ser consideradas irreversíveis: o aumento do consumo e o preço do petróleo. A boa notícia é que o mundo produz mais alimentos do que consome

Aumento do consumo
A economia mundial cresceu 20% nos últimos 4 anos, aumentando o consumo de alimentos em países emergentes como China e Índia, onde vivem mais de 30% da população mundial

Petróleo
O preço do barril de petróleo aumentou 110% desde o início de 2007, o que elevou o preço dos transportes e dos insumos, como fertilizantes e adubos

Commodities
A cotação do dólar no mercado internacional caiu 37% nos últimos 6 anos, provocando fuga de investidores para os fundos de commodities

Biocombustíveis
O incentivo do governo americano aos produtores de etanol de milho fez aumentar a cotação do grão e estimulou agricultores de soja e trigo a migrar para a produção de milho

Clima e doenças
Secas, enchentes, pragas e doenças nos rebanhos provocaram quebras de safra graves na China, na Europa e na Austrália, reduzindo a oferta de alimentos

Por Ronaldo França - Revista Veja - 23/04/2008

Fonte: MCM Consultores Associados

terça-feira, maio 20, 2008

Biocombustíveis x Alimentos 2

O segundo passo para uma resposta a este questionamento é o da compreensão da relação entre a formação de preço dos alimentos ao consumidor e a produção de biocombustíveis, do ponto de vista da realidade brasileira e mundial.

1. Os biocombustíveis têm alguma coisa a ver com os alimentos que compramos?

Enquanto no Brasil o álcool é feito a partir de apenas dois terços da área de cana-de-açúcar plantada, nos EUA o bioetanol é feito basicamente de milho, apesar do balanço energético muito menor desta cultura na produção de biocombustíveis em relação à cana (1:1,4 do milho; 1:8,5 da cana).

No caso do biodiesel, apesar de estarmos produzindo basicamente a partir da soja, temos feito investimentos em pesquisas de culturas que em nada, ou em muito pouco, se relacionam com a alimentação humana como a mamona, macaúba, palma (dendê), algodão (caroço), Pinhão manso dentre outras.

2. Aumento da demanda

Pela esta mesma lei do capitalismo, os preços podem subir tanto para um mercado quanto para o outro. Se houver mais demanda de um lado, haverá uma elevação no preço do outro, até o equilíbrio do mercado.

3. Diminuição na produção de alimentos

Esta euforia inicial dos agricultores brasileiros de substituição de culturas tradicionais pelas utilizadas na produção de biodiesel e etanol, é muito natural. O resultado imediato é a elevação dos preços dos alimentos, mas, a longo prazo, a tendência natural do mercado é o equilíbrio destes preços em patamares bem mais realísticos que os deste inicio.

4. Aumento indireto de preços dos alimentos

A tendência da tecnologia de produção de bicombustíveis é o de utilização dos subprodutos resultantes do processo para a alimentação animal, fertilizantes químicos e geração de energia. Ou seja, mesmo indiretamente aumentando o preço destes alimentos, ainda indiretamente, ele também tende a diminuir o seu preço inclusive pela implementação de alguns novos subprodutos.

5. Exclusão social

No Brasil esta realidade esta sendo combatida pela implementação de uma política de incentivo ao pequeno agricultor que poderia resolver parte do problema.

6. Aumento do efeito estufa

No Brasil, o uso de derivados de combustíveis fosseis vem sendo substituído por etanol, muitas vezes mais limpo, segundo o mesmo estudo, a produção brasileira do etanol de cana foi considerada menos poluente do que o petróleo, gerando de 50 a 90% a menos dos gases do efeito estufa que seriam emitidos pela gasolina. Isso tudo sem levar em conta os benefícios do uso dos subprodutos dos biocombustíveis (o bagaço da cana, por exemplo) para produzir o próprio biocombustível e gerar energia eletrica.

7. Desmatamento de florestas

O crescimento no percentual de desmatamento da Amazônia, que há cinco anos seguia tendência de diminuição, nada tem a ver com o aumento da área plantada de cana-de-açúcar. A área de cana-de-açucar brasileira tem crescido principalmente sobre terras degradadas, antes ocupadas pela bovinicultura.

Devemos ressaltar, ainda que as áreas ocupadas com gado, hoje, no Brasil perfazem um total de próximo de 220 milhões de hectares com um rebanho de aproximadamente 200 milhões de cabeças, dando uma ocupação (densidade) de 0,9 cabeças/ha de media nacional, o que é muito baixa. Porém, em São Paulo, já ultrapassa 1,2 cabeça/ha. Se esta media nacional passar para 1,4 cabeça/ha, por exemplo, haveria uma liberação de mais de 40 milhões de ha de pastagens, ou seja, 8 vezes a área atual ocupada com cana para álcool.

8. Insuficiência de recursos hídricos

Atualmente a quantidade de água utilizada em todo o mundo na produção de alimentos é da ordem de 7 mil metros cúbicos, de acordo com o Instituto Internacional da Água de Estocolmo (SIWI). A estimativa é que, até o ano 2050, este consumo praticamente dobre. Nas palavras de Jan Lundqvist, diretor do conselhor da SIWI, "as projeções indicam que a água necessária para produzir biocombustíveis crescerá na mesma proporção que a demanda de água por alimentos, o que representaria a necessidade de 20 a 30 milhões de quilômetros cúbicos em 2050. E isto não é possível".

9. Alternativas mais eficientes

Um estudo britânico publicado na revista Science demonstrou que as florestas podem absorver de duas a nove vezes mais carbono, em um período de 30 anos, do que as emissões evitadas pelo uso de biocombustíveis.

É importante salientar que parte dessas críticas são também um alerta para que parte do processo de produção do biocombustível, por exemplo, possa ser melhorado para evitar os desastres.

Algumas das possíveis melhoras são:

  • A escolha de matérias-primas mais produtivas e que exijam menos fertilizantes e menos energia na colheita;

  • O uso de terras já desmatadas e não cultivadas para o plantio;

  • A diminuição do combustível fóssil no processo de produção e transporte;

  • A utilização de pequenos agricultores para a produção de matéria-prima



Para embasar a discução veja os proximos artigos:

  1. Biocombustíveis x alimentos (Impactos Negativos)

Fontes consultadas:


Fonte: How Stuff Works

Biocombustíveis x Alimentos 1

Até onde se pode mesmo produzir biocombustíveis sem afetar a produção de alimentos?

O mundo irá mesmo deixar de produzir alimentos para produzir combustível?



A questão é bastante delicada e oportuna no cenário atual de aumento do preço dos alimentos.

O primeiro passo para uma resposta a este questionamento é o da compreensão da relação entre a formação de preço dos alimentos ao consumidor e a produção de biocombustíveis. Vejamos a questão sobre o ponto vista negativo.

1. Os biocombustíveis têm alguma coisa a ver com os alimentos que compramos?

Mais do que poderíamos desejar. No caso do álcool combustível brasileiro, a matéria-prima mais usada para a sua produção é a cana-de-açúcar, a mesma usada na produção de açúcar e seus derivados. O biodiesel utiliza soja, palma (dendê), girassol e amendoim, dentre outras.

2. Aumento da demanda

É verdade que a humanidade está dividindo, hoje, parte de seu alimento com um grande concorrente que é a indústria de biocombustíveis. Pela lei fundamental do capitalismo, o da oferta e procura, como a demanda por produtos que são usados tanto em biocombustíveis como em alimentos em crescimento, os preços, destes, tendem a subir.

3. Diminuição na produção de alimentos

Os agricultores brasileiros, contagiados pela crescente demanda dos biocombustíveis por matéria-prima, têm substituído suas culturas tradicionais pelas utilizadas na produção de biodiesel e etanol. O resultado imediato é a elevação dos preços dos alimentos.

4. Aumento indireto de preços dos alimentos

Boa parte da alimentação dos bovinos, suínos e aves é composta por insumos utilizados na produção de biocombustíveis. Ou seja, poderia ficar mais caro alimentar estes animais. E este aumento nos custo geralmente é repassado aos consumidores - carnes e laticínios podem ficar mais caros.

5. Alguns indicativos do mercado

Ao longo de 2006, o preço internacional do milho (matéria-prima não só da tortilla, mas do etanol nos EUA) subiu 55%. A soja, cuja produção foi reduzida nos EUA para abrir espaço para o milho, teve alta de 13%, segundo o International Food Policy Research Institute (IFPRI).

Na economia brasileira, de 2006 a 2007, alguns alimentos apresentaram elevação dos preços acima do esperado, de acordo com estatísticas da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O açúcar refinado, por exemplo, ficou 15,74% mais caro no varejo no período. No período do Pró-álcool, a primeira tentativa de usar etanol nos veículos brasileiros ocorrida nos anos 80, houve muita especulação e os usineiros, às vezes, vendiam para os produtores do etanol e, às vezes, para os produtores de açúcar.

Os especialistas já não ignoram mais a existência de uma correlação entre preços de alimentos e aumento da demanda de biocombustíveis. A constatação veio por meio do informe Perspectivas Agrícolas 2007-2016, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), publicado em setembro de 2007.

De acordo com o relatório, a demanda por biocombustíveis em nível mundial vai duplicar em 10 anos. Do lado da oferta, estima-se que até 2016 a União Européia (UE) irá produzir 21 milhões de toneladas de biocombustíveis, ante aos atuais 10 milhões; os EUA irão dobrar sua produção e o Brasil, por sua vez, irá saltar de 21 para 44 bilhões de litros produzidos anualmente. A China, ainda segundo a OCDE, irá expandir sua produção de etanol em cerca de 3,8 bilhões de litros por ano.

6. Exclusão social

O modelo de produção de biocombustíveis, baseado em grandes propriedades e na geração de sub-empregos, é considerado socialmente excludente.

7. Aumento do efeito estufa

Como o modelo de produção de biocombustiveis usados atualmente ainda se baseiam na utilização dos combustíveis fosseis para o transporte e, no caso americano, até para a produção de etanol, levaram alguns estudos científicos, publicados em outubro de 2007, a apontarem que, se o processo produtivo for considerado na somatória de emissão de gases do efeito estufa, os biocombustíveis chegam a ser 70% mais nocivos do que combustíveis fósseis.

8. Desmatamento de florestas

O aumento da área plantada de cana-de-açúcar poderá pressionar a atual área agropecuária brasileira no sentido da Amazônia e, conseqüentemente, ao desmatamento da floresta.

Um ano após o anúncio do aumento da demanda mundial de biocombustíveis, em 2006, estatísticas apontaram um crescimento no percentual de desmatamento da Amazônia, que há cinco anos seguia tendência de diminuição.

9. Insuficiência de recursos hídricos

Atualmente a quantidade de água utilizada em todo o mundo na produção de alimentos é da ordem de 7 mil metros cúbicos, de acordo com o . A estimativa é que, até o ano 2050, este consumo praticamente dobre. Nas palavras de Jan Lundqvist, diretor do conselhor da SIWI, "as projeções indicam que a água necessária para produzir biocombustíveis crescerá na mesma proporção que a demanda de água por alimentos, o que representaria a necessidade de 20 a 30 milhões de quilômetros cúbicos em 2050. E isto não é possível".

Para embasar a discução veja os proximos artigos:

  1. Biocombustíveis x alimentos (Impactos Negativos)

Fontes consultadas:

Fonte: How Stuff Works

sábado, maio 17, 2008

Cosan compra ativos da Esso no Brasil

A Cosan, maior produtora de açúcar e álcool do Brasil, adquiriu, no mês passado, as operações de distribuição e venda de combustíveis da Esso no Brasil, garantindo acesso ao varejo de álcool, mercado que registra forte crescimento.

A ExxonMobil, maior petrolífera do mundo e dona da Esso, buscava compradores para seus ativos no país há meses. A compra, avaliada em US$ 826 milhões, também era disputada pela Petrobras, que chegou a encaminhar para a companhia a proposta de compra.

Segundo fato relevante divulgado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Cosan firmou contrato de longo prazo para continuar usando a marca Esso no Brasil. Ainda de acordo com a CVM, para assumir o negócio, no entanto, além de desembolsar os US$ 826 milhões, a Cosan vai arcar com uma dívida de 163 milhões de dólares da petrolífera. O comunicado informou que para pagar parte da aquisição, a Cosan vai utilizar US$ 310 milhões em recursos adicionais oriundos da participação de acionistas minoritários e possivelmente financiar o restante.

O negócio abrange cerca de 1.500 postos de combustíveis em 20 estados brasileiros, além de quatro terminais de abastecimento e distribuição de combustíveis. Engloba, ainda, a participação da Esso em outros 17 terminais por meio de joint-venture com outras distribuidoras.

Em nota, a companhia afirmou que, com a aquisição, ela espera se tornar “o primeiro player de energia renovável explorando desde o plantio da cana-de-açúcar até a distribuição e comercialização de combustíveis no varejo e atacado”.

A empresa afirmou também que espera reduzir a volatilidade da margem de lucro dos seus negócios ao combinar as margens de produção, distribuição e comercialização do álcool combustível. De acordo com o vice-presidente financeiro da Cosan, Paulo Diniz, em teleconferência com analistas e jornalistas, o etanol vem crescendo para se tornar o combustível mais consumido no Brasil. E nesse contexto, a empresa quer assegurar acesso direto aos consumidores. Segundo o executivo, grande parte dos postos da Esso estão localizados no Sudeste do Brasil, principalmente em São Paulo, próximos das usinas de álcool do grupo, o que vai proporcionar à Cosan ganhos em logística.

Fonte:

Enquanto isso, em Taiwan...

Enquanto o mundo todo vem discutindo os problemas da produção de alimentos versos a de biocombustíveis alimentos, cientistas de um laboratório de Taiwan anunciaram na última semana que estão realizando pesquisas para extrair álcool a partir da palha do arroz e, assim, ampliar as fontes de biocombustíveis.

De acordo com o comunicado do Conselho de Energia Atômica, patrocinador do projeto, os pesquisadores taiwaneses já fizeram experiências bem-sucedidas com um protótipo de sistema de produção e esperam terminar uma fábrica-piloto até o final de 2009.

As estimativas iniciais apontam que será necessário 1 quilo de arroz para produzir 0,5 litro de álcool. “Da palha pode-se extrair componentes com os quais é possível produzir álcool com 99,5% de pureza”, disse o diretor do projeto, WangChia-bao, em entrevista coletiva à imprensa mundial.

Wang destacou ainda que o uso do arroz tem mais vantagens que o da cana-de-açúcar ou do milho, já que a palha é um produto secundário, não afetando assim, a produção de alimentos. Outro ponto positivo ressaltado pelo diretor, é que o aproveitamento desta parte do arroz, irá complementar a renda dos agricultores.

Apesar dessas vantagens, o custo da produção ainda é considerado elevado, (US$ 0,67 por litro) superando o valor de outros processos. Mesmo assim, Taiwan vem promovendo o uso de outras fontes de energia alternativa como os biocombustíveis, com o intuito de superarem os altos preços do petróleo, commodity ainda considerada essencial para o desenvolvimento econômico mundial.

Fonte:

Etanol de Laranja

Além do bagaço da cana-de-açúcar, o etanol já pode ser produzido a partir dos resíduos da laranja, como foi anunciado em fevereiro, por uma das maiores produtoras mundiais do suco desta fruta, a brasileira Cutrale. O projeto é uma parceria entre a filial norte-americana da companhia, a Cutrale Citrus Juices USA Inc. e a Southeast Biofuels LCC, subsidiária da Xethanol.

A usina-piloto que será construída na cidade de Auburndale, na Flórida (EUA), terá como investimento inicial cerca de US$ 5,9 milhões, dos quais US$ 500 mil serão financiados pelo governo do estado da Flórida.

De acordo com o projeto, há previsão de que a unidade tenha capacidade de produzir 30 milhões de litros de etanol a partir de 800 mil toneladas de resíduos de laranja anualmente. Para que isso ocorra, serão utilizados inicialmente, cerca de 37 mil litros de fermento e 30,4 toneladas de bagaço da laranja.

Desde 2005, quando ultrapassou o Brasil, o EUA é considerado um dos maiores produtores de álcool do mundo. O país norte-americano ainda se destaca pelos crescentes investimentos no etanol de segunda geração, como este que será produzido a partir do bagaço da laranja. Este combustível que também pode ser chamado de álcool celulósico é obtido a partir de um elemento específico da biomassa, a celulose.

Fonte:

Shell investe em biocombustível de Alga

Nem cana, muito menos milho ou óleo de cozinha, a última novidade divulgada em relação a produção de biodiesel é o processo a partir de algas marinhas. A iniciativa é da empresa anglo-holandesa Shell que anunciou no final do ano de 2007, a parceria com a americana HR Biopetroleum para a construção de uma usina piloto para produção experimental.

O empreendimento, batizado de Cellana, será erguido na ilha americana do Havaí, sede da HR Biopetroleum. A Shell, no entanto, terá a maioria acionária.

Segundo o comunicado das companhias, a escolha pelas algas se deve pelo fato delas crescerem rapidamente, além de serem ricas em óleo vegetal e poderem ser cultivadas em tanques com água do mar, minimizando o uso de terra fértil e água doce. O comunicado explica ainda que assim que forem recolhidas, as algas serão tratadas para a extração de óleo, que em seguida será transformado em biocombustível.

O projeto contará com a contribuição de um programa de pesquisa acadêmica, que examinará espécies de microalgas naturais para determinar quais produzem maior rendimento e mais óleo vegetal. Participam do programa cientistas das Universidades do Havaí, Southern Mississippi e Dalhousie, em Nova Escócia, Canadá.

É importante destacar que a Shell entrou no mercado de biocombustível no país em 2006, no projeto da mistura de 2% de biodiesel (B100) no diesel que se tornou obrigatório neste ano. A partir daí, a empresa se envolveu em outros projetos neste segmento como a parceria com a Viação Real para o teste de uso do biodiesel no Rio de Janeiro. A iniciativa faz parte do programa Riobiodiesel, que colocou em circulação o primeiro ônibus urbano movido a biodiesel do Brasil.


Por Beatriz Silva beatriz.s@nicomexnoticias.com.br


Fonte:

"Alga ou gasolina, doutor?"

Algas microscópicas podem virar o biocombustível número 1 do mundo - se alguns probleminhas técnicos saírem do caminho

Nunca na história deste planeta se falou tanto em biodiesel. Os produtores da soja brasileira, do óleo de dendê indonésio e de outras culturas agrícolas salivam diante das perspectivas de transformar esse monte de matéria vegetal nos combustíveis do futuro.

Mas esses sonhos podem desmoronar diante de um concorrente inusitado: as algas. Essa aposta está sendo feita por uma série de empresas americanas de nomes mirabolantes, como Solix Biofuels e Solazyme.

No papel, a idéia mais que razoável: algumas espécies de algas verdes, seres de uma célula só que funcionam basicamente como as plantas terrestres, são até 100 vezes mais produtivas que a soja, por exemplo. E botar as bichinhas para crescer não requer prática nem tampouco habilidade: elas não precisam de terra, só de água, luz e gás carbônico.

O óleo da célula delas pode ser transformado em biodiesel, capaz de mover todo tipo de veículo e ainda ser usado para aquecer casas. A alta eficiência de crescimento delas também significa que uma área relativamente pequena seria suficiente para cultivá-las, em vez das vastas lavouras de soja que hoje impulsionam o desmatamento na Amazônia.

Resta saber, porém, se vai dar para resolver os problemas que impedem a produção do algadiesel em larga escala. É preciso achar o jeito certo de controlar o crescimento das algas - se ele for rápido demais, umas acabam tapando a luz das outras e enguiçam o processo. E também ainda é um problema extrair o óleo das algas - é preciso usar métodos químicos, porque não dá para simplesmente espremê-las, como se faz com as azeitonas.

Em resumo, falta provar que o algadiesel vai fazer tão bem ao bolso quanto pode fazer ao ambiente.

Clique aqui e veja a relação de litros por hectare entre as algas e outros biocombustíveis.

Nunca na história deste planeta se falou tanto em biodiesel. Os produtores da soja brasileira, do óleo de dendê indonésio e de outras culturas agrícolas salivam diante das perspectivas de transformar esse monte de matéria vegetal nos combustíveis do futuro.

Mas esses sonhos podem desmoronar diante de um concorrente inusitado: as algas. Essa aposta está sendo feita por uma série de empresas americanas de nomes mirabolantes, como Solix Biofuels e Solazyme.

No papel, a idéia mais que razoável: algumas espécies de algas verdes, seres de uma célula só que funcionam basicamente como as plantas terrestres, são até 100 vezes mais produtivas que a soja, por exemplo. E botar as bichinhas para crescer não requer prática nem tampouco habilidade: elas não precisam de terra, só de água, luz e gás carbônico.

O óleo da célula delas pode ser transformado em biodiesel, capaz de mover todo tipo de veículo e ainda ser usado para aquecer casas. A alta eficiência de crescimento delas também significa que uma área relativamente pequena seria suficiente para cultivá-las, em vez das vastas lavouras de soja que hoje impulsionam o desmatamento na Amazônia.

Resta saber, porém, se vai dar para resolver os problemas que impedem a produção do algadiesel em larga escala. É preciso achar o jeito certo de controlar o crescimento das algas - se ele for rápido demais, umas acabam tapando a luz das outras e enguiçam o processo. E também ainda é um problema extrair o óleo das algas - é preciso usar métodos químicos, porque não dá para simplesmente espremê-las, como se faz com as azeitonas.

Em resumo, falta provar que o algadiesel vai fazer tão bem ao bolso quanto pode fazer ao ambiente.




Por Reinaldo José Lopes
Fonte: Revista Superinteressante - 09/2007

Etanol de grama é melhor que o do milho

Após cinco anos analisando campos de capim em fazendas americanas, pesquisadores da Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, chegaram à conclusão de que é possível produzir etanol originado de capim. O biocombustível seria feito a partir de uma espécie de gramínea, chamada Panicum virgatum, que pode ser facilmente encontrada nos EUA.
Com isso, fazendeiros dos estados de Nebraska e Dakota estão contribuindo para tornar os Estados Unidos uma potência em biocombustível, plantando grandes extensões de terra pela primeira vez com a Panicum virgatum, uma gramínea perene que, geralmente, cresce nos limites das áreas agrícolas naturalmente. A planta pode produzir cinco vezes mais energia que gasta no seu cultivo.
Os autores do estudo, Rob Mitchell, Marty Schmer e Richard Perrin, destacam que essa espécie de grama tem inúmeras vantagens em relação a outras fontes de biocombustíveis, como o milho e a cana-de-açúcar.



Transformar plantações de Panicum virgatum¸ como essa no nordeste de Nebraska, em etanol produz 540% mais energia que a quantidade consumida no cultivo das plantas nativas perenes.


Trabalhando em conjunto com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os fazendeiros colocaram na ponta do lápis os gastos com o desenvolvimento da semente, o fertilizante usado para impulsionar seu crescimento, o combustível usado na plantação, o volume total de chuva e, finalmente, a quantidade de grama colhida por cinco anos em campos de três a nove hectares.

Uma vez estabelecidas, as plantações produziram de 5,2 toneladas a 11,1 toneladas de fardos de grama por hectare, dependendo da precipitação pluviométrica, afirma o botânico Ken Vogel do USDA. “A produção oscila de acordo com a chuva”, afirma. "Essa espécie de grama obtém a maior parte de sua umidade durante a primavera e meio do verão. Em caso de chuvas no outono, isso não será muito bom para as colheitas daquele ano.”

Segundo os cientistas, 0,4 hectare de terra cultivada com a gramínea pode produzir uma média de 320 barris de bioetanol. Outro atraente do biocombustível de capim é que sua produção não compete com a de alimentos, o que evita o aumento do preço dos grãos e do açúcar.

Mas as safras das gramíneas, que precisam ser plantadas apenas uma vez, renderiam uma média 13,1 megajoules de energia na forma de etanol para cada megajoule de petróleo consumido – sob a forma de fertilizantes de nitrogênio ou diesel para tratores – para o seu cultivo. “É uma previsão, pois no momento não há biorrefinarias que lidem com celulose” proveniente dessa grama, observa Vogel. “Estamos bem confiantes de que a produção de etanol esteja realmente próxima.” Isso significa que o etanol da grama fornece 540% da energia usada para produzi-la, em comparação com um retorno de apenas cerca de 25% a mais de energia do etanol resultante do milho, e isso de acordo com os estudos mais otimistas.

O Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE) está financiando parte da construção de seis dessas biorrefinarias de celulose, com custo estimado total de $1,2 bilhão. A primeira construída será a Range Fuels Biorefinery, em Soperton, Georgia, que processará refugo da indústria madeireira, transformando-o em biocombustível e produtos químicos. O DOE está oferecendo uma verba inicial de $50 milhões para começar a construção.

“O etanol celulósico produzido a partir da grama ou de restos florestais como serragem e lascas de madeira, com custo mais competitivo e responsável em termos de energia, exige um processo de refino mais complexo, mas que ainda vale o investimento”, afirmou o Secretário de Energia Samuel Bodman no início das obras da Range Fuels, em novembro. “O etanol celulósico contém mais energia líquida e emite bem menos gases de efeito estufa que o etanol de milho.”

Aliás, Vogel e sua equipe informaram na Proceedings of the National Academy of Sciences USA que a Panicum virgatum armazena carbono suficiente em seu sistema de raízes relativamente permanente para compensar 94% dos gases de efeito estufa emitidos durante seu cultivo e na queima do etanol pelos veículos. Naturalmente, essa estimativa também depende do uso das partes restantes da própria grama como combustível para a biorrefinaria. "A lignina nas paredes celulares da planta pode ser queimada", afirma Vogel.

O uso de gramíneas nativas tem como objetivo evitar alguns dos outros riscos associados aos biocombustíveis, como diversidade reduzida da vida animal local e substituição das plantações de alimentos pelo cultivo de matéria-prima para combustível. “Esta é uma plantação de energia que pode ser cultivada em terras marginais”, argumenta Vogel. Atualmente, os fazendeiros são pagos para não plantarem em mais de 14,2 milhões de hectares de terra marginal, de acordo com os termos do Programa de Reservas para Conservação do USDA.

Mas até mesmo uma grama de pradaria nativa precisa de uma ajuda dos cientistas e fazendeiros para apresentar o rendimento necessário para que o etanol seja uma alternativa viável à gasolina derivada do petróleo, argumenta Vogel. “Para realmente maximizar seu rendimento potencial, é preciso aplicar fertilizantes de nitrogênio”, ele afirma, além de técnicas melhores de cruzamento e linhagens genéticas. “Sistemas de baixa produção simplesmente não serão capazes de conseguir a energia por hectare necessária para fornecer ração, combustível e fibras”

Além de ajudar a conservar o solo ao prevenir erosões, o combustível originado de capim emite 94% menos gases causadores do efeito estufa, em comparação com a gasolina.

Fonte: Scientific American Brasil

sexta-feira, maio 16, 2008

Matérias-primas para a produção de biodiesel

Nos últimos dois meses, o continente americano se viu envolvido por um interessante debate sobre biocombustíveis, sendo que a mídia tem sido inundada por diferentes opiniões.

De um lado, os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos tentam juntar esforços para incentivar a produção de biocombustíveis em larga escala no continente, defendendo a tese que esta é alternativa viável para a substituição de combustíveis fósseis e para minimizar problemas ambientais. Por outro lado, os presidentes de Cuba e Venezuela questionam o deslocamento de áreas de terra cultiváveis da produção de alimentos, o que poderia aumentar ainda mais os graves problemas sociais e de alimentação das populações da América Latina.

A pesar de não ser agrônomo, nos últimos anos tenho acompanhado esse caloroso debate que hoje chega à população nos inúmeros eventos que tenho participado sobre biocombustíveis. Após ter escutado inúmeros especialistas com opiniões diferentes, me parece claro que pouquíssimos países no mundo poderão produzir biocombustíveis com as tecnologias agrícolas atuais sem deslocar áreas usadas para a produção de alimentos.

Felizmente, também parece que o Brasil possui inúmeras opções viáveis, como, entre outras, usar áreas degradadas da floresta amazônica para produção de palmáceas ou, ainda, áreas de pastagens já degradadas e abandonadas pela pecuária, sem a necessidade de diminuir a produção de alimentos. No entanto, não está claro para mim se seremos capazes de abastecer o nosso mercado interno e ainda nos tornarmos um grande fornecedor mundial de biocombustíveis.

Na Tabela abaixo existe um quadro comparativo entre as produtividades, por hectare, de diversas fontes de óleos e gorduras tradicionais e também de algas. A partir desses dados percebe-se que as microalgas conseguem aumentar em mais de vinte vezes a produtividade de palmáceas como o dendê, tida por muitos especialistas como as únicas viáveis para programas de biodiesel em larga escala. Além da alta produtividade, esses organismos são mais eficientes na conversão de luz do que plantas terrestres, seu ciclo de vida é de alguns dias e ainda podem ter até 50 % do seu peso na forma de óleos.

Recentemente tive contato com empresários americanos que estão desenvolvendo bioreatores para crescimento de algas em larga escala, as quais são alimentadas com CO2 oriundo de empresas de petróleo. Assim, além de produzirem óleos com alta eficiência por hectare, ainda diminuir emissões de carbono e empresas poluidoras!

Assim, está ficando claro para mim que as algas são uma alternativa concreta de fonte de matéria-prima para a produção de biodiesel. Acredito que esta na hora de colocarmos essa alternativa na nossa pauta e iniciar a desenvolver tecnologia adaptada ao nosso país, sob o risco de haver no futuro próximo uma perda completa de competitividade do biodiesel produzido pelas culturas tradicionais.

Tabela: Comparação de algumas fontes de matéria-prima para a produção de biodiesel.


Fonte de biodiesel - Produtividade de óleo (L/ha) - Área necessária (Mha)a
Milho - 172 - 1.540
Soja - 446 - 594
Canola - 1.190 - 223
Coco - 2.689 - 99
Óleo de palma - 5.950 - 45
Microalgab - 136.900 - 2
Microalgac - 58.700 - 4,5

a Área suficiente para atender a 50% da demanda de combustível nos EUA;
bvariedades com 70% óleo (por peso) na biomassa;
cVariedades com 30% óleo (por peso) na biomassa. Fonte: Chisti, Y.; Biotechnology Advances 25 (2007) 294 – 306.


Por Paulo Suarez

Hidrogênio com Tecnologia Brasileira

Um projeto que contempla o transporte coletivo sustentável dentro das cidades, é o ônibus a hidrogênio, desenvolvido pelo Laboratório de Hidrogênio da COPPE UFRJ, em parceria com a Petrobras e a Finep . Com 12 m de comprimento - tamanho de um ônibus urbano convencional - o veículo poderá transportar 80 passageiros.

Projetado para ter autonomia de 300km, utilizando somente a energia de pilha a combustível alimentada a hidrogênio, o ônibus não emite gases poluentes e tem como único resíduo a emissão de vapor d’água. A água derivada da reação eletroquímica é tão pura que pode até ser usada para consumo.

Mas o grande diferencial desse ônibus é a sua tecnologia, desenvolvida inteiramente por pesquisadores brasileiros. "Em outros veículos já existentes no mundo, a pilha de hidrogênio, por meio de uma reação eletroquímica, gera energia elétrica diretamente para o motor. Mas, no nosso caso, criamos também um banco de baterias, que pode ser alimentado por outras duas vias: por conexão a uma rede elétrica externa e, ainda, com a regeneração de energia cinética em energia elétrica, ou seja, o próprio movimento do veículo é aproveitado como fonte de energia", explica o pesquisador Paulo Emílio Valadão de Miranda, coordenador do projeto.

O ônibus híbrido da COPPE também tem outros segredos: como o banco de baterias é grande, a quantidade de hidrogênio necessária para alimentar o motor é menor. "Hoje, já há veículos que utilizam a tecnologia mista, mas o nosso manejo da energia dentro do veículo é inovador", diz Miranda.

O design, com base em princípios da ergonomia, inclui, ainda, uma via especial de acesso a portadores de deficiência física, com espaço destinado a abrigar cadeiras de rodas alinhadas aos demais assentos. O projeto prevê que o veículo circule inicialmente na Cidade Universitária, na Ilha do Fundão e, a partir de 2009, passe a trafegar por uma rota convencional, transportando passageiros pelas ruas do Rio de Janeiro. Boas idéias, que o carioca torce para ver, logo, circulando por aí.

Com o projeto o Brasil passa a integrar o reduzido número de países que trabalha para viabilizar o uso deste tipo de energia limpa. “Trata-se de um veículo do futuro, que responde aos anseios de uma sociedade sustentável. Não é poluente, gera pouco ruído e não dissipa gases que provocam o efeito estufa”, conclui o coordenador do projeto.

Os Biocombustíveis e os Alimentos

Três prioridades marcam a humanidade nesse início de século: alimento, ecologia e energia. Vai se tornando consenso que gerar alimentos, preservar o meio ambiente e encontrar um modelo energético menos poluente são objetivos prioritários atuais.

É nesse quadro que se coloca a questão energética. O mundo vai percebendo que o modelo energético atual não atende à preservação do meio ambiente nem às necessidades vitais da humanidade.

O petróleo é finito e extremamente poluente. Por isso, todo um esforço se desenvolve em busca de energias alternativas.

Os biocombustíveis (Biodiesel e Etanol) estão no centro das atenções. O Brasil conquistou respeito internacional pelo avanço tecnológico na área e há uma internacionalização do setor. Empresas transnacionais adquirem usinas ou constroem outras, já de olho no crescimento deste mercado.

Portanto, o aumento vertiginoso de investimentos na produção de biocombustíveis é visto como uma das alternativas mais eficazes para relativizar a dependência de nossa sociedade pelo combustível fóssil - um dos vilões do aquecimento global.

Até o Greepeace reconhece o Brasil como tendo um dos maiores programas de substituição de petróleo por energia renovável do mundo, o programa do álcool combustível, que consegue substituir 200 mil barris por dia de petróleo, deixando de lançar na atmosfera milhões de toneladas de carbono por ano.

Com o firme propósito do governo na sua implementação, com a devida sustentação legal e a boa resposta do produtor de biodiesel, seja em plantas em operação ou em projeto e o apoio de capital externo, muitos agricultores e fazendeiros voltaram-se para o plantio da cana-de-açúcar, matéria-prima do etanol, e outras culturas utilizadas na produção do biodiesel como mamona e óleo de palma.

Em 2006, o biocombustível alimentava apenas 1% do transporte terrestre mundial, de acordo com a Agência Internacional de Energia. A estimativa é que o percentual se multiplique por oito até 2030. No Brasil, esta tendência é vista com ótimos olhos, pois representaria uma ótima oportunidade de crescimento.

No início de 2007, a área plantada de cana-de-açúcar no Brasil era de 7,04 milhões de hectares (mais de 78% na região centro-sul do país, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - Inpe). Deste total, cerca de um terço foi destinado a produção de etanol. Se o aumento da demanda mundial se concretizar, estima-se que a área cresça 60% em 5 anos e ultrapasse os 10 milhões de hectares.

Mas nem tudo são flores. O que os entusiastas dos biocombustíveis não previam são os questionamentos sobre o crescimento da produção de biocombustíveis versos a produção de alimentos. Até onde se pode produzir biocombustíveis sem afetar a produção de alimentos?


Para embasar a discução veja os proximos artigos:

  1. Biocombustíveis x alimentos (Impactos Negativos)

Fontes consultadas:

Etanol Celulósico

Etanol celulósico é o etanol obtido através da celulose, um componente da biomassa. Existem dois processos para se obter o etanol celulósico: a hidrólise enzimática e o segundo, composto de três fazes a gasificação, fermentação e destilação, executadas de forma sucessiva.

A hidrolize enzimatica utiliza varia enzimas como a celulase, a celobiase e a β-glicosidase.

O seu processo de produção, por ser muito mais eficiente, já que usa catalisadores e enzimas que aceleram o processo natural de conversão do açúcar em alcóol, pode trazer dois benefícios: a viabilidade da criação de centros produtores de bio-combustíveis e o fim da ameaça de desabastecimento da indústria alimentícia, visto que se pode obter a lignocelulose com a utilização materias-primas diversas, desde partes das plantas (bagaços, folhas e caules), até restos orgânico diversos (palha, capins, restos de madeiras e resíduos agrícolas) como matéria-prima.

A grande diferença em comparação com os métodos tradicionais usados nas usinas de milho e cana-de-açúcar, consiste basicamente de dois fatores: o uso de vários elementos da biomassas; e, no uso de leveduras que aproveitam os dois tipos de açúcares obtidos na quebra da celulose, os de cinco moléculas de carbono, e os de seis moléculas de carbono, representando um aumento da ordem de 40 a 100% na produtividade, sem requerer um aumento de área plantada. Os processos atualmente utilizados, só conseguem aproveitam os açúcares de cinco moléculas. Portanto o grande avanço esta na produção de enzimas apropriadas para esse processo.
O tipo de biomassa a ser usado ira depender do custo da materia-prima e da logistica para aquisição das mesmas, pois o prcesso em si não faz distinção da biomassa utilizada.

A Royal Dutch Shell e a Iogen canadiana estão a construir uma fábrica que usará este processo e que estará concluída até 2009 e milionários como Paul Allen, Bill gates e Richard Branson, todos tem investido em firmas que produtoras de Etanol Celulósico.

Ver também
Celunol quer usina de etanol celulósico em 2008

Etanol Celulósico

MÉXICO terá biocombustível a partir de algas

A empresa mexicana Biofields investirá US$ 850 milhões na construção de uma usina no deserto mexicano, com capacidade para produzir 250 milhões de galões (945 milhões de litros) de biocombustíveis a partir de algas, que serão cultivadas em uma área de aproximadamente 50 mil hectares no estado de Sonora.

Sergio Ramírez, porta-voz da Biofields, anunciou que a previsão é de que a produção, que deverá começar em 2012, cresça para até dois milhões de galões. O projeto será autofinanciado e, pela avaliação de Ramírez, a utilização de algas como matéria-prima evitará o estigma do etanol produzido com base em milho, como acontece nos Estados Unidos, ou em cana-de-açúcar, que é o caso do Brasil
(G. Mercantil, 12/05/08).

Brasil vai levar polêmica sobre biocombustível e segurança alimentar ao Bric

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou na quinta-feira (15) que a polêmica sobre a produção de biocombustíveis e, sobretudo, da influência da produção do etanol brasileiro nos preços dos alimentos, serão levadas à primeira reunião formal dos ministros das Relações Exteriores do Bric – grupo formado pelos quatro maiores países emergentes: Brasil, Rússia, Índia e China. O encontro acontece na cidade russa de Ecaterimburgo.

“Evidentemente utilizaremos a ocasião para demonstrar o falso nexo de causalidade que existe entre o problema alimentar e o biocombustível, sobretudo o etanol. Não diria que é nosso objetivo central convencê-los disso, mas seguramente os biocombustíveis estarão presentes”, disse Amorim, em entrevista exclusiva à Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Amorim admite que o interesse dos países do Bric em relação aos biocombustíveis deve variar de acordo com as matrizes energéticas de cada um. “A Rússia é grande produtora de petróleo, então o interesse dela não é idêntico (ao do Brasil). Já a China e a Índia têm mais interesse”, disse.

Temas como a crise no Haiti e o atual contexto estabelecido no Oriente Médio, segundo o ministro, também devem ser abordados.

Ele classifica o encontro entre os ministros como “uma reunião de caráter histórico”, já que, pela primeira vez, os quatro países emergentes que representam 25% do território do planeta e cerca de 42% da população mundial se reúnem.

“Analistas dizem que a recessão que poderia ter sido gerada pela crise financeira norte-americana só não se expandiu por causa do crescimento desses países. É muito importante que o Brasil tenha uma relação próxima e um diálogo direto (com os demais emergentes), porque isso tem influência na organização dos bancos internacionais”, disse.

Na manhã de quinta-feira (15), Amorim se encontrou com o ministro de Relações Exteriores da China, Yang Jienchi. Nesta sexta-feira (16), está previsto um encontro bilateral com o ministro indiano Pranab Mukherjee.

“Esses encontros mostram claramente que a geografia mundial está mudando. A discussão vai se aprofundar amanhã”, disse Amorim.

O ministro Amorim acredita que, ao final do encontro, deve ser elaborado um relatório que aponte uma declaração conjunta dos quatro países.

Questionado sobre uma possível participação brasileira no G-8 (grupo que engloba os países mais industrializados do mundo e a Rússia), o ministro derrubou os rumores de que a Rússia poderia ser substituída pelo Brasil no grupo.

“Não queremos substituir ninguém. A Rússia é uma país muito importante no contexto mundial. O importante é podermos trabalhar juntos, porque somos países de grande peso e reconhecemos isso mutuamente. Não se trata de substituir, mas de juntar esforços”.

Fonte:

quinta-feira, maio 15, 2008

Brasil recebe investimento para plásticos verdes

As maiores empresas do setor petroquímico concederão ao Brasil mais de US$ 1,33 bilhão em investimentos destinados à pesquisa e produção de plásticos verdes, derivados do etanol de cana-de-açúcar e de glicerina.

Os dados do Instituto Socioambiental do Plástico, que apontam o Brasil como líder na tecnologia dos plásticos "verdes", foram recolhidos de empresas líderes do setor como Braskem, Dow Brasil, Nova Petroquímica e Solvay, que tentam reduzir sua dependência do nafta para a produção de resinas.

O uso do plástico como embalagem, em sua maioria no setor de alimentos, aumentou muito nos últimos 20 anos, mas a massificação da sua utilização recebeu críticas, como, por exemplo, no que diz respeito a sua decomposição, que pode demorar até 500 anos. A pesquisa apontou que o grau de reciclagem do Brasil, de 25%, é superior ao de países industrializados como a Alemanha.

A Braskem obteve uma certidão mundial para a produção de polietileno de etanol de cana-de-açúcar, com um investimento US$ 5 milhões e um projeto de construção de uma nova fábrica avaliada em US$ 150 milhões. A Solvay Indupa anunciou, por sua vez, um investimento de US$ 135 milhões para fabricar aproximadamente 60 mil toneladas de resina para produzir policloreto de vinil (PVC) de etanol.

Já a Dow Brasil, filial da matriz norte-americana, investirá US$ 1 bilhão no etanol de cana-de-açúcar como matéria-prima para as resinas plásticas com a construção do primeiro pólo álcool-químico do mundo na cidade de Santa Vitória, em Minas Gerais.

A empresa Nova Petroquímica, antiga Suzano Petroquímica, controlada agora pela Braskem e Petrobras, fará um investimento de US$ 50 milhões em uma fábrica piloto para produzir polipropileno a partir de glicerina residual do biodiesel.

Fonte: Ecopress com informações da Redação com agências internacionais - InvestNews

quarta-feira, maio 14, 2008

Glicerina: Solução ou Problema?

No processo de produção de biodiesel, a obtenção de uma tonelada do combustível tem como contrapartida a formação de aproximadamente 100 kg de glicerina bruta. No Brasil, com a adoção do B2 a partir de janeiro e do B3 a partir de julho de 2008, sera gerado um volume de 120 mil de toneladas de glicerina.

O que fazer com esta grade quantidade de glicerina gerada como subproduto no processo de fabricação deste biocombustivel, que cresce cada vez mais com o incremento desta produção, é o grande desafio da industria.

"Será que estamos a tratar de mais um “terrorismo da mídia”, ou deveríamos realmente nos preocupar com o "tsunami de glicerina" que hoje se desenvolve?" - Luiz Ramos

A glicerina tem sido vendida para uso, até agora, em cosméticos e em alguns produtos alimentares e farmacêuticos. No obstante, estes usos tradicionais são incapazes de absorver a “montanha de glicerina” que parece vir.

Num primeiro momento, estes excedentes poderão levar a grandes reduções no preço, eliminando parte da produção de glicerina de outras fontes. Com as reduções substanciais de preço, deverão também entrar no mercado de outros polióis, em particular o sorbitol. Na Europa, o aumento de biodiesel, para atingir apenas alguns pontos porcentuais do diesel, cobriria grande parte da demanda atual por glicerol.

No brasil a petrobra já estuda a utilização da glicerina como composto de redução de atrito na sua perfuratrizes de petróleo.

Assim, podemos ver que a diversidade de usos para a glicerina é muito grande, pode-se usar a glicerina, por exemplo, para reações de síntese com catalisadores para obter acido oxálico ou acido succinico ou glutâmico, que são empregados na fabricação de plásticos; ou promover reações da glicerina com outros compostos e obter produtos para fabricar detergentes ou "oligômeros" utilizados pela industria alimentícia ou farmacêutica.

Abaixo listamos os diversos usos que podem ser dados à glicerira nos dias de hoje:

  1. Alimentos e bebidas
  2. Cosméticos
  3. Drogas
  4. Fabricação de explosivos (dinamite e nitroglicerina)
  5. Fabricação de tintas e resinas
  6. Intermediários para plásticos
  7. Lubrificantes
  8. Produtos farmacêuticos
  9. Síntese de resinas, ésteres
  10. Tabaco
  11. Têxteis
  12. Tintas
  13. Umectantes

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Glicerina gerada na produção do biodiesel terá novos usos

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Alternativas para uso da Glicerina

Energia da glicerina

Glicerol

Fungo poderia sintetizar álcool a partir de celulose

Similaridades e diferenças no metabolismo de carboidratos de dois microrganismos (os fungos Trichoderma reesei e Saccharomyces cerevisiae) foram identificadas por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e podem levar à produção de álcool a partir da celulose -- o componente principal da parede celular de vegetais.
Um estudo desenvolvido no Departamento de Bioquímica pelos doutorandos Felipe Chambergo Alcalde, Augusto Peixoto Ramos e Ari Scattone Ferreira, sob orientação do professor Hamza El-Dorry, concluiu que esses microrganismos apresentam o mesmo sistema metabólico para o consumo de glicose, mas suas formas de ativação são diferentes.
O T. reesei (esq.) é um fungo filamentoso multicelular que degrada celulose; A S. cerevisiae (dir.) é um fungo unicelular que produz álcool em meios ricos em glicose
A levedura S. cerevisiae, fungo unicelular presente em fermentos biológicos, produz álcool etílico quando há alta concentração de glicose no ambiente. Se ela for baixa, no entanto, haverá formação de gás carbônico e água. Já o fungo multicelular T. reesei sempre produz gás carbônico e água a partir de glicose, e é capaz de secretar celulases, enzimas que convertem a celulose em várias moléculas de glicose.

Para identificar os genes envolvidos no metabolismo de carboidratos e avaliar sua expressão sob circunstâncias diversas, os cientistas empregaram técnicas de biologia molecular. As ESTs (sigla em inglês para ’etiquetas de seqüências expressas’) apontam os genes ativos em uma dada célula ou tecido de um organismo; os microarrays permitem determinar quais genes se ativam sob condições específicas.

Microarrays representam genes expressos sob as condições A (verde), B (vermelho) ou ambas (amarelo). Acima, microarray de T. Reesei em que os genes marcados em verde ou vermelho são expressos em alta ou baixa concentração de glicose respectivamente

O conjunto de genes envolvidos no metabolismo de glicose nos dois fungos é o mesmo, mas a expressão desses genes é regulada de maneiras diversas. "Essas diferenças evidenciam alguma diferença evolutiva entre os microrganismos", afirma Felipe Chambergo. O T. reesei vive no solo, onde os nutrientes são basicamente resíduos vegetais ricos em celulose, e a S. cerevisiae é encontrada na uva, onde há abundância de glicose.

Os resultados da pesquisa abrem as portas para modificações genéticas do T. reesei que possam torná-lo capaz de produzir álcool etílico. Como esse fungo consegue degradar celulose, o álcool poderia ser produzido a partir de materiais ricos nesse composto, como o bagaço da cana ou o resíduo urbano de papel.

Diversos grupos de pesquisa em todo o mundo buscam fontes alternativas de combustíveis menos poluentes e de baixo custo. Outras tentativas de obter álcool a partir de celulose já fracassaram devido à inviabilidade econômica. Produzir uma cepa de T. reesei geneticamente modificada e capaz de transformar celulose em álcool requer mais pesquisas. "Restam ainda etapas a serem vencidas para que os resultados deixem a escala laboratorial e possam ser aplicados à indústria", alerta o professor El-Dorry.

Fernanda Marques Ciência Hoje On-line 21/01/08

Elucidação do destino metabólico de glicose no fungo filamentoso Trichoderma reesei por análise EST (Expressed Sequence Tags) e "microarrays" de cDNA.Felipe Santiago Chambergo

Pertenece a: "The Digital Library of Theses and Dissertations of the Universidade de Sao Paulo (USP) contains the complete text of theses and dissertations defended at the USP"

Biocombustiveis de 2ª geração feitos com fungo Tricoderma reesei

Um fungo de cor verde forte mais conhecido por estragar uniforme e tendas de lona das tropas norte-americanas durante a Segunda Guerra Mundial, pode mostrar-se uma maneira mais eficiente de produzir biocombustíveis, divulgou pesquisadores na segunda-feira (5).

Segundo os cientistas, eles usam um número muito pequeno de genes para produzir as enzimas o que lhe permitem se alimentar de celulose e produzirem biocombustiveis com, tudo indica, uma grande eficiência.

Eles seqüenciaram o genoma completo do Trichoderma reesei e encontraram indícios importantes sobre como ele quebra as fibras das plantas nos açúcares simples necessários para produzir combustível à base de plantas.

Apesar de seu apetite por algodão e outras plantas fibrosas terem causado problemas às tropas, o fungo pode mostrar uma maneira de como usar 'switchgrass' (tipo de capim) e outras plantas que não são alimentos para a produção de biocombustíveis, disseram os pesquisadores no Nature Biotechnology.

Uma barreira ao uso de plantas que não são alimentos para produzir biocombustíveis tem sido a dificuldade em convertê-las em açúcar. Alimentos como milhos são convertidos mais facilmente.

"Nossa análise, junto com os dados do sequenciamento de genoma, fornece um mapa para a construção de cepas de T. reesei para aplicações industriais como a produção de biocombustível", escreveu Diego Martinez, do Laboratório Nacional Los Alamos, e seus colegas.

O fungo já tem sido explorado comercialmente. "Ele tem uma antiga história de uso seguro para a produção de enzima industrial", escreveram.

Mas a análise genética derrubou algumas hipóteses sobre como ele funciona.

Ele usa as enzimas que cria para quebrar as fibras das plantas, transformando-as na forma mais simples de açúcar conhecido como monossacarídeo. Mas ele possui menos genes dedicados à produção de enzimas que consomem celulose do que outros fungos.

"Estamos cientes da reputação do T. reesei como produtor de grandes quantidades de enzimas degradantes. Entretanto, ficamos surpresos com a pouca quantidade de tipos de enzimas que ele produz o que nos sugere que seu sistema de secreção de proteínas é excepcionalmente eficiente", disse Martinez, que também pertence à Universidade do Novo México, em um comunicado.

O T. reesei pode ser produzido em escala industrial para secretar suas enzimas que consomem fibras, que por sua vez podem ser adicionadas às plantas para produzir açúcar. O açúcar pode então ser fermentado por levedura para produzir etanol.

Eles esperam conseguir usar essa informação genética para conseguir informações sobre maneiras mais eficientes e baratas de quebra de celulose para produção de etanol. Nesse caso, a celulose poderia vir de plantas comuns e abundantes ou até do lixo, gerando biocombustíveis com ainda menos carbono.

"A informação contida em seu genoma vai permitir que possamos entender melhor como esse organismo degrada a celulose com tanta eficiência, além de como ele produz as enzimas exigidas de maneira tão extraordinária", disse Joel Cherry, da Novozymes, empresa de biotecnoliga dinamarquesa que participou do estudo.

"Usando essa informação, pode ser possível melhorar essas duas propriedades, reduzindo o custo de conversão de biomassa celulósica em combustíveis e substâncias químicas", disse Cherry.

Fonte: Estadão Online

Leia mais aqui:
Trichoderma reesei genome paper published

Soft rot fungus is the muse for biofuel developers

Veja ainda, os estudos no Brasil sobre o Assunto:
Fungo poderia sintetizar álcool a partir de celulose

terça-feira, maio 13, 2008

Hidroesterificação: tecnologia de segunda geração na produção de Biodiesel

O processo de hidroesterificação é a mais moderna alternativa na produção de biodiesel. Esse processo permite o uso de qualquer matéria-prima graxa (gordura animal, óleo vegetal, óleo de fritura usado, borras ácidas de refino de óleos vegetais, entre outros). Essas matérias-primas são totalmente transformadas em biodiesel independente da acidez e da umidade que possuem.

Esse é um grande diferencial quando comparado ao processo convencional de transesterificação. A transesterificação industrial ocorre por catálise alcalina gerando inevitavelmente sabões, exigindo invariavelmente matérias-primas semi-refinadas (mais caras). Esse problema afeta o rendimento dessas plantas bem como a dificuldade de separação biodiesel/glicerina. Para resolver esse problema, a transesterificação faz uso de grandes quantidades de ácidos para quebra de emulsão, o que gera um custo operacional elevado.

A hidroesterificação é um processo que envolve uma etapa de hidrólise seguida de esterificação.

A hidrólise consiste numa reação química entre a gordura (ou óleo) com a água, gerando-se glicerina e ácidos graxos (Esquema 1). Trata-se de um processo conhecido no mundo e mesmo no Brasil, onde existem atualmente três plantas em operação. Nessas plantas atinge-se conversões superiores a 99%. Independente da acidez e da umidade (que é reagente do processo !) da matéria-prima, o produto final de hidrólise possui acidez superior a 99%. Portanto, ao invés de diminuir a acidez através de um refino, a hidrólise aumenta propositadamente a acidez da matéria-prima. Além disso, obtém-se uma glicerina muito mais pura que a glicerina advinda da transesterificação. Matérias-primas de grau alimentício geram glicerinas de grau alimentício a partir da hidroesterificação. Isso jamais ocorre na transesterificação, onde um significativo teor de sais, álcoois e outras impurezas encontram-se presente na glicerina.

Triglicerídeos + 3 H2O ↔ 3 Ácidos Graxos + Glicerol (Esquema 1)

Após a hidrólise, os ácidos graxos gerados são então esterificados com metanol ou etanol, obtendo-se o metil éster com elevada pureza. O próprio álcool “neutraliza” a acidez presente. Não existe contato de glicerina (já removida na hidrólise) com o biodiesel (produzido na esterificação). Atualmente, a fábrica de biodiesel da Agropalma (Belém-PA) já opera com esterificação. Apenas água é gerada como sub-produto (Esquema 2). Essa água retorna para o processo de hidrólise. Isso evita problemas de contaminação do biodiesel com resíduos de glicerol livre ou total (mono, di e triglicerídeos). Gera-se um biodiesel da mais elevada pureza, sem necessidade de etapas de lavagem que geram efluentes e elevado consumo de compostos químicos (Figura 1).

Ácidos Graxos + Metanol ↔ Biodiesel + H2O (Esquema 2)

Estima-se que uma planta de biodiesel por transesterificação possui um custo operacional de US$ 70/ton de biodiesel (energia elétrica, energia térmica, produtos químicos e mão de obra). A hidroesterificação por dispensar catalisadores homogêneos ou ácidos e bases de lavagem possui um custo operacional de US$ 35/ton. Numa planta de 100.000 ton/ano isso representa uma economia de US$ 3,5 milhões/ano.

Fora isso, as vantagens são ainda maiores pela utilização de matérias-primas ácidas como óleos de palmáceas brutos (dendê, macaúba, babaçú), óleo de mamona bruto ou gorduras de vísceras de animais de elevada acidez (porco, boi, galinha). A transesterificação é inviável para essas matérias-primas mais baratas. Como cerca de 80% do custo de produção do biodiesel é proveniente do custo da matéria-prima, a hidroesterificação permite um significativo salto na viabilidade de um projeto de biodiesel.


Figura 1 – Fluxograma do Processo de Hidroesterificação
Tecnologia USDA/GSH

RESUMO DAS VANTAGENS E DESVANTAGENS
NA ADOÇÃO DA TECNOLOGIA USDA/GSH X TRANSESTERIFICAÇÃO

VANTAGEM DA TRANSESTERIFICAÇÃO

  • INVESTIMENTO INICIAL MENOR



DESVANTAGENS DA TRANSESTERIFICAÇÃO

  • GERA SABÕES, EXIGINDO MATÉRIAS – PRIMAS SEMI - REFINADAS, MAIS CARAS. ESTE PROBLEMA AFETA O RENDIMENTO DA PRODUÇÃO, BEM COMO APRESENTA A DIFICULDADE NA SEPARAÇÃO BIODIESEL/GLICERINA
  • A SEPARAÇÃO BIODIESEL/GLICERINA REQUER GRANDES QUANTIDADES DE ÁCIDOS PARA QUEBRA DA EMULSÃO, O QUE GERA UM CUSTO OPERACIONAL ADICIONAL ELEVADO.
  • O PROCESSO DE CONVERSÃO MÁXIMO É DA ORDEM DE 90%. GERA SUB – PRODUTOS
  • OS SUB – PRODUTOS GERADOS ( GLICEROL ) , OU ADICIONADOS EM EXCESSO COMO O ÁLCOOL, A SOLUÇÃO AQUOSA COM CATALISADOR, EXIGEM CUSTOSOS PROCESSOS DE RECUPERAÇÃO, OU PERDA DESTES RESÍDUOS.
  • NECESSITA ETAPAS DE LAVAGEM GERANDO EFLUENTES QUE TÊM QUE SOFRER TRATAMENTO. IMPLICA EM ELEVADO CONSUMO DE CUSTOSOS COMPOSTOS QUÍMICOS.
  • ALTO CUSTO DE PRODUÇÃO.



DESVANTAGEM DA USDA/GSH

  • INVESTIMENTO INICIAL MAIOR



VANTAGENS DA USDA/GSH

  • PERMITE O USO DE QUALQUER MATÉRIA – PRIMA GRAXA : PERMITE O USO DE MATÉRIAS – PRIMAS MAIS BARATAS, INVIÁVEIS PARA A TRANSESTERIFICAÇÃO. PERMITE O USO DA MISTURA DESTAS MATÉRIAS – PRIMAS. INDEPENDEM DA ACIDEZ E UMIDADE QUE POSSUEM.
  • PERMITE CONVERSÕES SUPERIORES A 99%.
  • VELOCIDADE PARA COMPLETAR REAÇÃO MAIOR, TEMPO PARA PRODUÇÃO MENOR, CAPACIDADE PRODUTIVA MAIOR.
  • OBTEM – SE UMA GLICERINA MUITO MAIS PURA.
  • O METIL ÉSTER OBTIDO É DE ALTÍSSIMA PUREZA, LÍMPIDO E CLARO, INDEPENDENTE DOS ÓLEOS BASES.
  • APENAS ÁGUA É GERADA COMO SUB – PRODUTO. E É REAPROVEITADA.
  • CUSTO OPERACIONAL POR TM 50% MENOR. ISTO QUER DIZER, PERMITE RETORNO DO CAPITAL EM TEMPO MENOR, E JUSTIFICA O INVESTIMENTO INICIAL MAIOR.



FONTE: GSH DO BRASIL