Terça-feira, Julho 07, 2009

Fungo que pode produzir combustível é descoberto na Patagônia

06/07/09 - Cientistas americanos descobriram na Patagônia, região no sul da Argentina, um fungo capaz de produzir componentes como os que se encontram na gasolina diesel.

O fungo poderia ser potencialmente uma nova fonte de energia limpa, segundo o artigo publicado na revista científica Microbiology.

O fungo, batizado de Gliocladium roseum, foi descoberto em uma árvore ulmo (Eucryphia cordifolia) por cientistas da universidade do Estado de Montana, nos Estados Unidos.

O Gliocladium roseum gera várias moléculas diferentes que produzem hidrogênio e carbono, e que são também encontradas no óleo diesel. Os cientistas trabalham agora em criar o que chamam de "mycodiesel", um combustível limpo a partir da nova descoberta.

"Este é o único organismo que demonstrou ser capaz de produzir esta combinação importante de substâncias combustíveis", disse o professor Gary Strobel, que conduziu a pesquisa.

"O fungo pode inclusive produzir estes combustíveis de diesel a partir da celulose, que poderia ser uma melhor fonte de biocombustível que qualquer uma das que se usa atualmente", opina o cientista.

Hidrocarbonetos

Muitos tipos de micróbios podem produzir hidrocarbonetos, que são compostos formados de hidrogênio e carbono.

Os fungos que crescem na madeira parecem produzir uma série de compostos potencialmente explosivos.

"Quando examinamos a composição do Gliocladium roseum, ficamos totalmente surpreendidos de ver que ele estava produzindo uma variedade de hidrocarbonetos e derivados de hidrocarbonetos", disse Strobel. "Os resultados foram totalmente inesperados."

Posteriormente, quando os investigadores cultivaram o fungo em laboratório, ele foi capaz de produzir um combustível que, segundo eles, é muito similar ao óleo diesel usada em automóveis e caminhões.

Outra vantagem potencial do combustível, segundo Strobel, é que ele pode ser produzido diretamente da celulose, o principal composto das plantas e do papel.

Quando se utiliza plantas para produzir biocombustíveis, elas precisam primeiro ser processadas para depois serem convertidas em compostos úteis, como a celulose.

Mas no caso do Gliocladium roseum, ele pode produzir o "mycodiesel" diretamente da celulose.

"Isso significa que o fungo pode produzir combustível saltando-se um grande passo no processo de produção", diz Strobel.


04/07/09
Fonte: Vitrine Digital

Quinta-feira, Abril 23, 2009

Biocombustíveis de terceira geração????????



22/04/09 - Você provavelmente conhece veículos movidos a óleo vegetal, energia solar e eólica. O mais novo combustível a entrar nessa lista é o “pum” de vaca, de acordo com o blog Inhabitat. A empresa japonesa Yamaha está apostando em um carrinho de golfe que aproveita o metano emitido pela flatulência bovina (tida como um dos principais causadores do efeito estufa) como propulsor.

As pesquisas estão bem no início, mas o veículo, que foi testado em um campo de golfe em Katori, no Japão, já mostrou que suporta distâncias semelhantes aos carros comuns, porém não pode ser dirigido em alta velocidade. É também em Katori que fica a chamada “Cidade da Biomassa”, onde o esterco das vacas é processado e transformado nessa espécie de combustível orgânico.

O metano é estocado em um reservatório à base de carbono ativado que, com sua porosidade, ajuda na absorção do gás em baixa pressão. Quando o gás é colocado na presença desse tipo de carbono, o tanque pode suportar 30 vezes o seu volume em metano – eliminando assim a necessidade de um sistema de alta pressão, e custo elevado.

Agora, resta saber se os japoneses conseguiram eliminar o cheiro nada agradável do material.

Fonte:

Segunda-feira, Abril 13, 2009

Associação Brasileira para Sensibilizaçaõ, Coleta e Reciclagem dos Resíduos de Óleo de Cozinha

Há 02 anos, frente à SAMORCC, implantamos o Projeto de Coleta de Óleo de porta-a-porta, disponibilizando containeres em condominios e comércio em geral. Para tanto, fizemos parceria com a TREVO, que ganhou notoriedade.

O Projeto ultrapassou os limites geográficos do bairro, atingindo outras áreas da cidade, outros Municípios, outros Estados e até outros Países. (Atualmente estamos implantando o Projeto na Argentina)

Para ampliar o projeto, REUNIMOS AS SEIS COLETADORAS de óleo (Trevo, Lirium, Só-Óleo, Disk Óleo, Cml. Brentel e Giglio) + UM GRUPO DE AMBIENTALISTAS E EMPREENDEDORES e criamos a ECÓLEO: Associação Brasileira, para sensibilização, coleta e reciclagem dos resíduos de óleo de cozinha.

Juntas, coletam mais de 1 milhão de litros de óleo por mês!!! (praticamente 1 lago de óleo mes!) A quantia coletada, 1 milhão de litros/mês, representa menos de 5% do óleo descartado.

Considera-se que cada família descarte 1 litro de óleo/mes e que um litro de óleo contamina mais de 25 mil litros de água.


Assim, a ECÓLEO foi criada a finalidade de mobilizar Ongs e e governo, colaborando com as Prefeituras de cada cidade na implantação do Projeto, que vai desde a sensibilização até a reciclagem do resíduo coletado, criando-se eco-pontos, mobilizando as escolas, postos de polícia, postos de saúde, comércio, igrejas, etc., enfim, uma campanha que mobiliza, esclarece e cobra responsabilidades do Poder Público e da sociedade em geral.

O óleo descartado na pia, vasos ou meio-ambiente compromete a tubulação e polui águas, incidindo no custo desta.

Nos rios, lagos, etc., o óleo cria uma pelicula que impede a respiração e mata milhares de espécies de seres vivos - animais e vegetais.


Necessitamos de colaboração para ampla divulgação E IMPLANTAÇÃO desse projeto.


www.ecoleo.org.br - Tel. 3081.3418

Sexta-feira, Março 27, 2009

Estatal investirá US$ 2,4 bilhões em biodiesel

A Petrobras informou hoje que o Plano de Negócios da Petrobras Biocombustível prevê investimentos de US$ 2,4 bilhões no segmento de produção de biodiesel e etanol para o período de 2009-2013, sendo 91% no Brasil. Este valor faz parte do total de US$ 2,8 bilhões destinados pela Petrobras ao negócio de biocombustíveis, que prevê também US$ 400 milhões para infraestrutura, como alcooldutos. Os recursos totais representam um aumento de 87% em relação ao plano anterior. A estatal destinou ainda US$ 530 milhões neste período para pesquisas em biocombustíveis.

De acordo com o comunicado da companhia, dos US$ 2,4 bilhões, 80% serão investidos em etanol e 20% em biodiesel. Uma das metas da empresa é atingir em 2013 a produção de 640 milhões de litros de biodiesel no Brasil. Para isso, está prevista uma nova usina no norte do País, a duplicação da usina de Candeias (BA) e a adaptação para produção comercial das usinas experimentais de Guamaré, no Rio Grande do Norte. Também será desenvolvido um trabalho para ampliar a capacidade de produção das usinas de Quixadá (CE) e Montes Claros (MG). Será ainda analisada a possibilidade de aquisição de duas novas usinas.

Sobre a atuação internacional na área de biodiesel, a estatal explica ainda que terá continuidade o estudo do projeto em parceria com a portuguesa Galp Energia, que prevê a produção anual de 330 mil m³ de óleo vegetal no Brasil e de 320 mil m³ de biodiesel em Portugal. Também está prevista a implantação de uma unidade de produção de biodiesel na África.

Para o segmento de etanol, a meta da Petrobras é atingir, em parceria, a produção de 1,9 bilhão de litros em 2013, voltada para o mercado externo, e 1,8 bilhão de litros para o mercado interno. Segundo a empresa, o objetivo é fechar ainda este ano parcerias para quatro novos projetos de produção de etanol, envolvendo um parceiro internacional, que garanta mercado, e um produtor nacional de etanol. A empresa poderá ainda adquirir participação em usinas existentes. Fora do País, está sendo estudada uma unidade de produção de etanol na Colômbia.

Fonte: Invest News

Clérigo muçulmano diz que biocombustível é pecado

A produção e utilização de biocombustíveis poderão ser restringidas em comunidades muçulmanas depois que um estudioso do Islã conclamou grupos religiosos a estudar se os biocombustíveis violam a proibição ao álcool prevista pelo islamismo.

Em declaração ao jornal saudita Shams, o sheik Mohamed al-Najimi, da Academia Saudita de Jurisprudência Islâmica, disse que o profeta Maomé proibiu qualquer tipo de uso do álcool, o que incluiria compra, venda, transporte, consumo, provimento e produção.

O biodiesel produzido através do metanol estaria liberado segundo a interpretação do religioso. No entanto o clérigo não fez referência alguma ao biodiesel produzido pela rota etílica. Já o etanol combustível é derivado do álcool etílico, que segundo al-Najimi se encaixaria na categoria proibida. No processo de produção do etanol, o açúcar ou amido de origem vegetal é convertido em álcool etílico através de processo de fermentação com levedura.

Os biocombustíveis “são, basicamente, compostos de álcool”, afirmou ele.

Al-Najimi disse que sua opinião sobre os biocombustíveis não deve ser encarada como uma fatwa (interpretação religiosa com caráter legal no Islã), mas deve estimular os líderes islâmicos a estudarem a questão.

Ele acha também que uma proibição aos biocombustíveis deve se estender além de países predominantemente muçulmanos para abranger os jovens sauditas e muçulmanos que estudam no exterior e utilizam veículos movidos a biocombustível. Vários países do Ocidente e do Oriente estabeleceram o uso obrigatório de misturas de biocombustível, em porcentagens crescentes, na gasolina e no óleo diesel.

Fonte: Cleantech

Geocapital negoceia centro de investigação em Cabo Verde

Hong Kong, China, 26 Mar (Lusa) - A Geocapital está a negociar com o Governo de Cabo Verde a instalação no país de um centro de investigação, pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveis, disse hoje à agência Lusa Jorge Ferro Ribeiro, accionista da holding com sede em Macau.

Com interesses no sector financeiro de Cabo Verde e projectos de desenvolvimento de produção de biocombustíveis na Guiné-Bissau e Moçambique, a Geocapital quer aproveitar a experiência cabo-verdiana na produção de Pinhão Manso - Jatropha curcas , a espécie vegetal que vai utilizar em África para produzir combustíveis verdes.

Ferro Ribeiro explicou que o centro de investigação tem "como ponto de referência histórica um dado que não é muito divulgado, mas que é de grande interesse", que é o facto de Cabo Verde ter sido no início do século passado um grande produtor e exportador de jatrofa para França e Portugal.

"Já nessa altura o óleo de jatrofa era utilizado como energia alternativa e fazia a iluminação pública de importantes zonas urbanas em Portugal", disse.

O investidor salientou também que actualmente existem ainda produções de jatrofa em Cabo Verde, o que "reforça a razão" da parceria que será complementar a um acordo de cooperação que a Geocapital assinou em Lisboa com o Instituto de Investigação Científica Tropical também para a investigação relacionada com a produção de biocombustíveis.

Criada em Macau para "potenciar" o contexto económico e comercial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Oficial Portuguesa, através da actual Região Administrativa Especial da China, a Geocapital tem uma "presença muito forte e relevante" nos países de expressão portuguesa e "está a estudar um investimento na área financeira em Timor-Leste", disse Ferro Ribeiro.

Ainda na área dos biocombustíveis com recurso ao aproveitamento da jatrofa, Jorge Ferro Ribeiro, parceiro do magnata Stanley Ho na Geocapital, explicou à Lusa que a plantação desta espécie vegetal na Guiné-Bissau e em Moçambique deverá ser iniciada no final de 2009 ou início de 2010, acção que permitirá iniciar a produção de biocombustível "em dois ou três anos".

O projecto de produção nos dois países africanos segue uma filosofia de manter "em cada país toda a cadeia de valor do programa" que implicará a "construção e unidades industriais de refinação" adaptadas à dimensão das plantações que serão concretizadas, concluiu Ferro Ribeiro.

JCS.
Fonte:

Quinta-feira, Março 26, 2009

As respostas do campo às crises econômica e ambiental
João Guilherme Sabino Ometto*



“O Brasil está se movendo em direção à independência energética, através da expansão de fontes alternativas, como hidroeletricidade, etanol e biodiesel. A produção de etanol proveniente da cana-de-açúcar é sustentável em termos financeiros e ambientais, além de não afetar o cultivo de alimentos”. Esta vantagem competitiva, inúmeras vezes explicitada em nosso País por especialistas e representantes do governo e da iniciativa privada, seria redundante caso não fizesse parte do estudo “Baixas Emissões de Carbono, Alto Crescimento: A Resposta da América Latina para a Crise”, que acaba de ser divulgado pelo Banco Mundial (Bird).

Trata-se, assim, do reconhecimento de um dos mais respeitados organismos multilaterais de que os biocombustíveis e a energia de fontes agrícolas renováveis, conforme se pratica no Brasil, representam segura alternativa na busca da sustentabilidade, sem ameaça à cultura de alimentos e das mais importantes commodities. Considerando a credibilidade e significado do Bird, a sua clara posição quanto ao tema, um aval de inegável valor, representa passo importante para o País vencer as últimas reações de ceticismo aos seus programas de substituição da matriz energética.

Assim, a despeito da queda de preços do petróleo, o Brasil deve continuar investindo no fomento da bioenergia, ampliando paulatinamente seu alcance e abrangência. Como se sabe, o etanol já substituiu mais da metade do consumo interno de gasolina, utilizando-se apenas 1% das terras agricultáveis nacionais na cultura da cana-de-açúcar. Mais de 90% dos carros novos em circulação no País são flex fuel. A logística de distribuição garante acesso de toda a frota ao combustível.
O biodiesel também já se encontra nos postos de abastecimento de várias cidades brasileiras, inclusive a de São Paulo, onde roda a mais volumosa parcela de nossa frota. Esse biocombustível é importante salientar, reduz em 78% as emissões de gás carbônico e em 90% as de fumaça. Além disso, praticamente elimina as de óxido de enxofre. Estudos dos ministérios do Desenvolvimento Agrário, da Integração Nacional e das Cidades indicam que, para cada 1% de substituição de óleo diesel por biodiesel produzido com a participação da agricultura familiar, podem ser gerados cem mil empregos no campo.

Os números e dados dos programas brasileiros de bioenergia referendam outra constatação importante do estudo do Bird: “Essa abordagem (relativa às possibilidades de a América Latina contribuir para a solução dos problemas mundiais) poderia apoiar simultaneamente a recuperação econômica e estimular o crescimento nas áreas que atenuam o impacto das mudanças climáticas”. A observação reforça uma tese que parece inequívoca: o mundo não poderá prescindir de programas eficazes de energia limpa e preservação ambiental para solucionar a presente crise econômica, uma das mais graves da história. Ou seja, o capitalismo sobreviverá a esse profundo crash dos derivativos e suas consequências, mas terá de assimilar mudanças inerentes à sustentabilidade, em paralelo à maior responsabilidade e controle dos sistemas financeiros.

Essas irreversíveis tendências colocam o agronegócio no epicentro das soluções viáveis para a humanidade. Isto está muito claro no conteúdo de outro novíssimo estudo do Bird, o Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial de 2009, cujo tema básico é “Geografia econômica em transformação”. Diz o documento: “Todas as evidências indicam que a transição da atividade rural para a industrial é ajudada, e não prejudicada, por um setor agrícola saudável (...). Os incentivos direcionados à agricultura também ajudarão os estados atrasados a elevar os padrões de vida para os níveis dos adiantados”.

Todas essas questões evidenciam que o Brasil precisa apoiar cada vez mais o desenvolvimento de sua agropecuária, com a implementação de políticas públicas mais eficazes do que as adotadas até o momento. Nosso agronegócio vai bem, mas poderia ser muito melhor, não fossem gargalos como o do crédito, a dívida rural, os juros muito elevados, o desperdício causado pela deficiência da infraestrutura e os preços elevados dos insumos. Se o mundo reconhece que a resposta da sobrevivência está no campo, o principal protagonista desse processo - o Brasil - não tem o direito de vacilar.

*Engenheiro, membro do Conselho Universitário da Universidade de São Paulo.

Fonte: Jornal Agora

Mercado verde e promissor no Brasil

25/03/09 - O Brasil é hoje a menina do baile da sustentabilidade que todo mundo quer tirar para dançar. Há duas semanas, os alemães estiveram aqui para iniciar negócios com tecnologias sustentáveis, durante evento denominado Ecogerma. Agora são os suecos, que ensaiam uma aproximação, hoje e amanhã, para mostrar sua expertise verde em congresso temático. Não será nenhuma surpresa se, em breve, vierem também os dinamarqueses, os espanhóis e os ingleses - aliás o príncipe Charles deu o ar de sua graça recentemente para tratar prioritariamente de uma agenda ambiental.

Difícil apontar uma única razão para o encanto exercido pelo País. Certamente o seu charme decorre de um conjunto de fatores, entre os quais vale destacar a ascendência econômica, o vasto mercado interno, o pioneirismo do etanol ecologicamente correto, os evidentes gaps de investimentos de infra-estrutura em áreas correlatas às de meio ambiente e - é claro - a propriedade do mais rico patrimônio de recursos naturais do planeta, que tem na Amazônia o seu principal expoente. Nesses tempos de aquecimento global e corrida mundial para redução nas emissões de carbono, um País que possui 46% de fontes renováveis em seu modelo de geração de energia tende a ser visto como um exemplo de sucesso.

Deixando de lado interesses supostamente mais desprendidos na conservação das florestas tropicais (como garantia futura de ar respirável e clima equilibrado para a humanidade), o que atrai a atenção estrangeira é o potencial do mercado brasileiro e as muitas oportunidades que ele oferece. A alemã Roland Berger deu-se ao trabalho de sintetizá-lo em números.

Em parceria com a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, a consultoria concluiu estudo segundo o qual o mercado nacional de sustentabilidade corresponde a 0,8% do mercado mundial, com uma estimativa de crescimento interessante entre 5% e 7% ao ano até 2020. Esse índice aproxima-se do crescimento previsto em 6,5% para o mercado mundial no mesmo período. Avaliza as projeções de expansão o fato singelo de que as empresas brasileiras têm investido em tecnologias verdes apenas 1% do seu faturamento. Em números absolutos, os investimentos feitos aqui, no ano de 2007, com gestão de resíduos sólidos, água, saneamento e poluição do ar totalizaram US$ 5,2 bilhões. E os relacionados a energias renováveis ficaram em US$ 6,7 bilhões. Para quem acha que é muito dinheiro, uma informação comparativa: na Alemanha o mercado ambiental movimenta US$ 82 bilhões. O de energias limpas, recursos da ordem de US$ 40 bilhões.

Até mesmo os metódicos alemães, líderes mundiais em tecnologia sustentável, reconhecem a parte cheia do copo da sustentabilidade brasileira. Houve avanços importantes. Mas a expressiva parte vazia do mesmo copo indica, sobretudo, enormes possibilidades de negócio que ficarão mais nítidas tão logo se dispersem as sombras da crise econômica mundial. Um pouco mais de números sobre problemas que se apresentam como oportunidades: no Brasil o índice de materiais reciclados é de 12% contra 57% na Alemanha, apenas 39% de nossas cidades oferecem destino adequado para lixo e só 49% das residências têm saneamento básico. Mais investimento público, por meio de parcerias público-privadas, podem colocar o Brasil entre os três mais promissores mercados para tecnologias sustentáveis do mundo.

O estudo da Roland Berger identificou algumas oportunidades bem concretas. Uma delas está na adoção de novas regulações, que deverão resultar em processos de privatização ou de concessão de serviços públicos de água e saneamento. Outro campo com boas perspectivas é o da gestão de resíduos sólidos urbanos e industriais. Há um ambiente favorável, marcado, sobretudo, por uma nova regulamentação, em tramitação no congresso, que abrangerá a questão da separação e tratamento de resíduos. Uma terceira tendência observada refere-se ao estímulo e uso de energia renovável, com o reforço à utilização de biomassa, a exploração de pequenos rios e bacias hidrográficas e a geração de energia eólica num país riquíssimo em ventos. A necessidade de buscar maior eficiência energética com edificações, tecnologias de informação e materiais verdes corresponde à outra tendência identificada pela Roland Berger.

Feito no auge da crise do subprime, o estudo detectou o que esta coluna já havia apontado, no final do ano passado: o colapso econômico global vai reduzir, em 2009, investimentos em tecnologias sustentáveis (para 30% dos executivos entrevistados.) No entanto, 39% acreditam que haverá apenas um adiamento momentâneo, sem afetar metas planejadas.

Os próximos cinco a oito anos serão caracterizados - afirma o documento - por um desenvolvimento positivo do mercado brasileiro, em decorrência dos investimentos em infra-estrutura no âmbito do PAC, do uso crescente de tecnologias mais limpas e da ascensão de um consumidor mais interessado em produtos verdes. É esperar para confirmar.


Ricardo Voltolini
Fonte:

Petrobras deve investir US$ 158 bilhões no Brasil nos próximos cinco anos

O Plano de Negócios da Petrobras para o período 2009/2013 foi detalhado, nesta terça-feira (24), em audiência pública conjunta das comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Serviços de Infra-Estrutura (CI).

Gás e biodiesel

Questionado pelo presidente da CI, senador Fernando Collor (PTB-AL), sobre se o Brasil alcançaria autossuficiência na produção de gás com esses investimentos, Sérgio Gabrielli admitiu que vai conquistar apenas autonomia e independência. Dos 135 milhões de metros cúbicos diários de gás que o país deverá demandar em 2013, o dirigente diz que 71 milhões de metros cúbicos deverão vir da produção nacional, mas ressalva que 30 milhões de metros cúbicos continuarão, até 2019, a vir da Bolívia.

Dentro do PN 2009/2013, a produção de biocombustíveis deverá contar com US$ 2,8 bilhões em investimentos - considerado pouco por Sérgio Gabrielli -, dos quais 84% vão para a produção de biodiesel e 16% para etanol. A empresa trabalha com a ampliação da exportação de etanol de 1 milhão de metros cúbicos diários, em 2009, para 4,2 milhões diários em 2013 e, para tanto, está focada no mercado asiático, em especial no Japão.

Já a meta de produção de biodiesel deve saltar de 1,3 milhão de metros cúbicos diários, em 2009, para 2,6 milhões em 2013. Os Estados Unidos são vistos como um mercado "promissor e atraente" para esses produtos, mas, segundo o presidente da Petrobras, não é prioridade por conta da produção própria de álcool à base de milho e pelas barreiras alfandegárias impostas ao produto brasileiro.

Simone Franco / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Terça-feira, Dezembro 23, 2008

Terça-feira, Dezembro 09, 2008

Cartilha: Herança Global - mudanças que o aquecimento global reserva

A cartilha explica, de forma bem didática, questões relacionadas às mudanças climáticas, trazendo dados sobre as emissões de gases do efeito estufa, as prováveis consequências climáticas no Brasil e no mundo, esclarecimentos sobre o Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima e o que você pode fazer para reduzir a sua contribuição ao aquecimento global. O material, de autoria da jornalista Júlia Antunes Lourenço, foi apresentado como Trabalho de Conclusão de Curso em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

A cartilha é nteressante para usadaa como ferramenta de educação ambiental. Os interessados em utilizá-la para algum fim educativo ou comercial devem entrar em contato com a autora pelo email julia.al@gmail.com.

Veja a cartilha clicando aqui

Fonte

Etanol e biodiesel, heróis ou vilões?

Até que ponto essa questão é pertinente?


Com a crise dos alimentos em 2008, governantes e empresários de várias partes do mundo relacionaram a expansão dos biocombustíveis com a alta no preço da comida. Como o mercado de energia abriga múltiplos interesses, dá para desconfiar das críticas. Mas até que ponto elas são pertinentes?

Em 2006, a produção mundial de etanol foi de 40 bilhões de litros e a de biodiesel, de 6,5 bilhões. Os EUA defendem seu etanol de milho ao afirmar que só 3% da inflação dos cereais é causada pelos biocombustíveis. Para a ONU, os biocombustíveis respondem por 10% da alta de preço da comida, e, para o Banco Mundial, por 75%.

Ao lado dessa polêmica, cresce o consenso de que biocombustível não é sempre igual. O impacto sobre o preço dos alimentos é bem diferente quando se considera o álcool combustível brasileiro, feito da cana, o etanol norte-americano, fabricadocom milho, e o biodiesel europeu, feito de grãos como o trigo. Nessa disputa, nosso país está bem posicionado.

OS GIGANTES DO ETANOL



Distribuição da produção mundial de etanol - 2007

Produção concentrada
Brasil e EUA concentram a produção de etanol. Os especialistas consideram que o etanol de cana, feito no Brasil, não ameaça a produção de alimentos. Já o etanol de milho exige que se desvie parte do cereal que iria para a mesa de milhões de pessoas,nos EUA e no México, onde o milho é a base da alimentação popular.

A EUROPA DOMINA O BIODIESEL

Distribuição da produção mundial de biodiesel, em 2006

CRESCE A PRODUÇÃO DE ETANOL

Milhares de toneladas equivalentes de petróleo

Açúcar versus grãos

Compare este gráfico com o dos preços dos grupos de alimentos, na matéria O mundo vive rebeliões por fome. Repare como são diferentes as dinâmicas dos preços do açúcar e dos grãos (veja os gráficos na matéria Por que sobe o preço dos cereais). Enquanto os grãos subiram com os combustíveis, o açúcar se comporta de maneira mais livre.

A INFLUÊNCIA DO PETRÓLEO

Variação nominal da cotação do petróleo, em média, em dólar, e dos preços dos amimentos

Comida no prato ou no motor?

A partir de 2005, os biocombustíveis feitos com grãos tornaram-se importantes para os países ricos. Lester Brown, fundador do Worldwatch Institute, prevê que daqui para a frente o preço da comida e o do petróleo estarão amarrados. Para ele, sempre que a cotação da comida for menor que a do combustível, os grãos e os recursos naturais seguirão para o setor energético.

COMPARE OS ETANÓIS



Vantagens da cana

Para a ONG Oxfam, a política de biocombustíveis dos países ricos pouco tem a ver com questões ambientais ou de segurança alimentar, como alegam seus governos, mas, sim, com sua disputa por mercados. Como prova, a entidade cita as tarifas sobre o etanol do Brasil, cujo objetivo real é proteger as próprias produções.

Do: Guia do Estudante - Atualidades e Vestibular 2009

Fonte:

Vacas menos poluentes

Cientistas do mundo todo buscam soluções para diminuir a emissão de gás metano por animais ruminantes. Uma nova pesquisa - realizada por cientistas em Zurique, em parceria com diversos países, entre eles o Brasil - mostra que plantas tropicais podem minimizar o problema. E ainda há outras iniciativas, no Reino Unido, no Brasil, na Nova Zelândia, na Suécia...


É difícil de imaginar, mas é verdade. Apesar da aparência pacata e bucólica, as vacas também são responsáveis pelo efeito estufa e o aquecimento global. Durante o processo digestivo do animal, ele emite gás metano, que é cerca de 20 vezes mais potente que o dióxido de carbono (CO2). Estima-se que 16% da poluição mundial seja proveniente da pecuária. Mas os bovinos não são os únicos vilões. Cabras, ovelhas e búfalos também causam o mesmo problema.

Diferente do ser humano, os animais ruminantes têm quatro estômagos. Os dois primeiros são o rúmen e o retículo, onde o bolo alimentar se mistura continuamente. Dentro deles, há uma concentração enorme de microorganismos (bactérias, protozoários e fungos). Como todo esse processo de fermentação dos alimentos é anaeróbico (sem presença de ar), o gás metano é produzido e acaba sendo expelido pelo animal. Uma vaca pode liberar de 150 a 500 litros de gás por dia, dependendo de sua espécie e finalidade. “O problema não está na digestão das vacas. Mas, sim, no aumento exorbitante do rebanho mundial para suprir a demanda por alimentos e outros produtos”, afirma o professor alemão Michael Kreuzer, especialista em alimentação animal, do ETH Zürich - Instituto de Ciências Animais da Escola Politécnica de Zurique.

Kreuzer estuda o assunto há mais de 20 anos. Em seus últimos experimentos, o especialista alemão constatou que, ao adicionar substâncias provenientes de plantas tropicais na dieta alimentar do animal, é possível diminuir a emissão de metano. Foram testados três tipos de aditivos alimentares. Primeiramente, gordura de coco, linhaça e de sementes de girassol. Essas substâncias conseguem inibir a proliferação de um microorganismo no rúmen, responsável pela produção do metano. Na segunda fase da pesquisa, foram testados saponinas (encontradas nos frutos do jequiriti ou quilaia) e tanino (originário de alguns tipos de acácia). “Os resultados mostraram diminuição do metano em até 20%”, revela Kreuzer. Para comprovar esses valores, a equipe do ETH colocou vacas e ovelhas dentro de uma câmara de vidro, alimentou-as durante dois dias e ficou monitorando a emissão de gases.

Os cientistas também sabem que vacas alimentadas exclusivamente com ração produzem um terço do metano do que as que comem em pastos. “O metano se origina, principalmente, da digestão da celulose dos alimentos verdes”, explica o professor do ETH. Entretanto, além do capim e feno serem bem mais baratos e saudáveis, se pecuaristas decidissem utilizar somente ração, o dano para o meio ambiente seria igualmente ruim.

Encontrar soluções “naturais” para o problema é o ideal, já que essas alternativas dificilmente afetam a qualidade nutricional e o gosto do leite e da carne. As leis européias proíbem o uso de antibióticos para reprimir a formação de metano (prática largamente utilizada em muitos países) e a injeção de microorganismos modificados geneticamente no rúmen.

Entretanto, para tornar a ingestão dos aditivos alimentares de plantas tropicais uma alternativa comercialmente viável, seria necessário que a produção dessas substâncias fosse realizada nos países de origem, já que atualmente elas ainda são raras e caras. Durante as pesquisas, elas foram adicionadas na alimentação dos animais em forma de pó.

PARCERIA BRASILEIRA

A pesquisa realizada pelo ETH Zürich conta com colaboradores essenciais para o sucesso do projeto: parcerias com universidades de vários países em desenvolvimento, como Colômbia, Peru, Brasil, Bolívia, Quênia, Etiópia, Indonésia e outros. Com isso, garante-se que pesquisadores façam um trabalho conjunto em diversas áreas. O objetivo do ETH Zürich é fomentar a pesquisa nesses lugares e encontrar soluções baratas e simples, que possam ajudar a economia local e o meio ambiente. “Queremos auxiliar os países que realmente necessitam”, diz Kreuzer.

O Brasil possui o maior rebanho comercial de bovinos do mundo. Segundo o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2007, o país tinha 192 milhões de cabeças, sendo 89% bovinos, 7% ovinos, 3,5% caprinos e 0,5% bubalinos. Desde 2002, o CENA/USP - Centro de Energia Nuclear na Agricultura tem uma parceria com o ETH Zürich, financiada pela AIEA - Agência Internacional de Energia Atômica. “Estamos pesquisando a utilização de plantas taniníferas brasileiras na manipulação dos microorganismos ruminais e mitigação de metano entérico”, explica Adibe Abdalla, professor do CENA. “Nas câmaras para quantificação de metano in vivo, tivemos resultados promissores com a planta Sansão do Campo (mimosa caesalpiniaefolia), adicionada à dieta de ovinos da raça Santa Inês, com uma redução de cerca de 17% na liberação do gás”, comemora Abdalla.

Os pesquisadores do CENA também estão investigando a eficácia de resíduos (co-produtos), obtidos após a extração do óleo das sementes do algodão, do pinhão manso e do girassol, utilizados para a produção de biodiesel. As chamadas “tortas” desses resíduos melhoram a qualidade da dieta dos animais e reduzem a emissão do metano em cerca de 6%.

Outro instituto brasileiro que desenvolve estudos nessa área é a Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Além de pesquisar novos tipos e a melhora da qualidade de forragens (alimentos), existe um projeto de longo prazo para produzir vacinas para controlar os microorganismos produtores de metano (metanogênicos).

Em todo o mundo cientistas se debruçam sobre o tema e realizam novas experiências. No Reino Unido, por exemplo, o professor Athole Marshall, do IGER - Institute of Grassland and Environmental Research, da Aberystwyth University, está conduzindo uma pesquisa com uma espécie de trevo, o birdsfoot trefoil (lotus corniculatus). “Estamos interessados no birdsfoot trefoil porque ele tem tanino, o que protege a proteína no rúmen e evita o inchaço do animal”, afirma Marshall. Ainda está sendo analisada a quantidade ideal de tanino para as vacas. Outro desafio dos pesquisadores ingleses é a escassez da planta no país. Além de não ser encontrada em grandes quantidades, quando plantada junto ao capim, ela acaba desaparecendo após uns dois anos.

Já na Nova Zelândia, outro lugar onde o tema é realmente levado à sério, o governo criou um órgão específico – Ministério do Meio Ambiente - responsável por achar alternativas e criar leis para conter a emissão dos chamados greenhouse gases. Quando o problema foi levado à tona, anos atrás, cogitou-se taxar os pecuaristas neozelandeses, um dos maiores exportadores mundiais, pela produção de metano pelos seus rebanhos. Os produtores disseram “não” e fizeram uma contra-proposta. Em vez de pagar taxas, financiariam pesquisas. É o que vem sendo feito. Recentemente foi divulgado o desenvolvimento de uma espécie de grama, geneticamene modificada, que é digerida mais facilmente pelas vacas e, consequentemente, libera menos gás metano. O novo capim ainda está em fase de testes.

METANO TRANSFORMADO

Algumas empresas privadas estão investindo em novas maneiras - criativas e lucrativas, para dar fim ao metano. A sueca Svensk Biogás é uma delas. Ela utiliza carnes - que seriam incineradas ou então jogadas no lixo pelos abatedouros - para produzir biogás. O metano é retirado de restos de estômago, intestino, rim, fígado e até do sangue dos bovinos, através de um processo de fermentação. Depois de tratado – filtrado com água e removido o máximo possível de CO2, o gás pode ser utilizado como combustível em carros, táxis, caminhões e, inclusive, trens. Segundo a empresa, Amanda é o primeiro trem do mundo movido somente a biogás. O produto da Svensk também é usado na frota de ônibus da cidade, Linkoping, onde fica a sede da companhia.

Além de carne de vaca, também são utilizadas sobras de porcos e galinhas. São 54 mil toneladas de dejetos transformados em cinco milhões de metros cúbicos de biogás por ano.

Outro projeto pioneiro vem de uma fazenda em Fresno, na Califórnia. O metano está sendo retirado de esterco de gado e transformado em gás. The Vintage Dairy Biogas Project virou realidade graças ao sonho e esforço do pecuarista David Albers e uma parceria estratégica com a empresa Pacific Gas and Electric, que compra e distribui o gás. Albers espera produzir gás suficiente para abastecer 1200 casas por dia.

Fonte:

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UE consegue acordo para que 20% da energia seja renovável em 2020

09/12/08 - A União Européia (UE) alcançou hoje um acordo para que 20% da energia que consumir em 2020 seja renovável, uma das medidas de combate à mudança climática que a cúpula européia desta semana busca aprovar.

A decisão foi adotada em reunião entre representantes do Conselho Europeu, da Comissão Européia e do Parlamento Europeu que concluiu hoje, dentro da intensa série de negociações prévias que buscam definir no possível um acordo diante da cúpula da quinta e sexta-feira próximas.

O acordo estabelece que os 27 países da UE terão objetivos nacionais vinculativos para conseguir esse 20% no conjunto do bloco, assim como planos de ação detalhados para alcançar esse fim.

A Comissão Européia terá poderes para fazer um acompanhamento do cumprimento desses planos nacionais e lançar procedimentos de infração contra os países que não cumprirem.

A cláusula de revisão de 2014 não afetará os objetivos nem os planos nacionais.

Estabelece também que 10% do combustível do transporte procederá de biocombustíveis renováveis.

Dentro desses 10%, não haverá uma cota mínima obrigatória para biocombustíveis de segunda geração, hidrogênio ou eletricidade, mas está previsto um sistema de bonificação para incentivar a utilização destes.

O acordo coloca a energia renovável no topo das medidas energéticas da Europa, criará até 2 milhões de novos empregos e garantirá a liderança da UE em tecnologias de vanguarda, disse o eurodeputado Claude Turmes, em comunicado.

Fonte:

Da Agência

"O ambientalismo morreu"

Quando os ambientalistas Michael Shellenberger e Ted Nordhaus publicaram o ensaio A Morte do Ambientalismo, em 2004, sabiam que era provocativo, mas não esperavam se tornar os garotos malvados do movimento verde. Eles diziam que a onda ambientalista não seria capaz de lidar com o aquecimento global, porque o problema teria uma natureza econômica em vez de ecológica. Os responsáveis pela emissão dos gases de efeito estufa, diziam eles, eram os mesmos que fazem a economia girar. E nenhum país limitaria a emissão de carbono à custa do crescimento econômico. Essa visão desagradou à velha guarda, mas inspirou a nova geração de ambientalistas. Shellenberger e Nordhaus foram eleitos Heróis do Ambientalismo de 2008, prêmio concedido pela revista Time. ÉPOCA conversou com Shellenberger para saber mais sobre a morte do ambientalismo e o que poderá substituí-lo.

QUEM É: Presidente e estrategista político da organização ambientalista The Breakthrough Institute (algo como Instituto da Ruptura)

O QUE FEZ: Trabalhou para grandes fundações americanas, como o Sierra Club. Sua tese de mestrado em Antropologia pela Universidade da Califórnia foi sobre os conflitos de terra no Maranhão. Foi escolhido pela revista Time como um herói do meio ambiente

O QUE PUBLICOU: The Breakthrough: from the Death of Environmentalism to the Politics of Possibilities (A Ruptura: da Morte do Ambientalismo à Política das Possibilidades, em uma tradução livre)

ÉPOCA - Por que o senhor diz que o ambientalismo morreu?

Michael Shellenberger - O ambientalismo foi fundado sobre uma visão de que os humanos são intrusos na natureza. E de que a ação humana é uma contaminação. A solução óbvia seria limitar a poluição e a invasão humana. Funcionou bem para problemas pequenos e localizados, como a poluição do ar e das águas. Mas, quando enfrentamos um desafio como o aquecimento global, essa política de limitação não funciona. É preciso uma política de possibilidades, algo voltado para impulsionar as grandes aspirações humanas, algo voltado para o investimento e para a criação de uma nova economia. Algo como usar o consumo e a produção como ampliadores da capacidade humana, sem atacar o meio ambiente. E isso só será possível com fontes limpas de energia.

ÉPOCA - Qual é o problema do discurso ambiental de hoje?

Shellenberger - É importante apresentar o problema e a solução. O que o ambientalismo faz é descrever o pesadelo do aquecimento global. O movimento ecológico de hoje raramente descreve o sonho de uma economia baseada em energias limpas, num mundo onde 6,5 bilhões de pessoas podem viver prosperamente. Precisamos articular uma visão inspiradora do futuro. Se fizermos isso, seremos capazes de mobilizar uma ação coletiva para concretizar os investimentos que precisam ser feitos. Essa visão positiva, porém, não é suficiente.

ÉPOCA - Por quê?

Shellenberger - Porque os líderes ambientalistas vêem o aquecimento global como um problema de poluição similar aos do passado. No combate à chuva ácida nos Estados Unidos, foi permitido às empresas que trocassem entre si a permissão para emitir certos níveis de poluição. Mas esse modelo é restrito para enfrentar as mudanças climáticas. Elas exigem uma transformação tecnológica bem mais cara.

ÉPOCA - Que tipo de transformação?

Shellenberger - Transformações tecnológicas que nos possibilitem adotar fontes limpas de energia, mais caras que os combustíveis fósseis. Não é sensato esperar que os governos taxem os combustíveis fósseis para os consumidores procurarem as fontes de energia limpa. Politicamente, essa abordagem não vai dar certo. Especialmente durante a crise econômica. O que funcionaria seriam grandes investimentos estatais em tecnologia, infra-estrutura e educação. Os governos tradicionalmente gastam dinheiro nas recessões para estimular a economia. Agora, esse investimento deve ser feito em tecnologia para baratear energia limpa. Defendemos um portfolio de investimento em diferentes tecnologias. Pode variar da captura e do armazenamento de carbono à energia solar ou à construção de linhas de transmissão para trazer energia de lugares onde venta muito para as áreas urbanas. Há também os biocombustíveis e a energia geotérmica. Todas essas fontes de energia exigiram apoio governamental.

ÉPOCA - Qual seria o papel de economias emergentes, como o Brasil?

Shellenberger - Os países mais ricos, incluindo os EUA e os europeus, deveriam ceder US$ 100 bilhões por ano. Esse dinheiro seria investido nos países desenvolvidos e nas economias emergentes. Poderia ser usado para construir centros de captura e armazenamento de carbono na Índia ou para carros elétricos na China.

ÉPOCA - Não seria ingenuidade esperar por essa mobilização internacional?

Shellenberger - Não necessariamente. As pessoas não se dão conta, mas os EUA investiram bilhões de dólares para reconstruir a Europa após a Segunda Guerra Mundial. Eles formaram uma aliança chamada Comunidade Européia do Carvão e Aço. Essa parceria foi o embrião da União Européia e contou com investimentos centrados em energia e infra-estrutura, assim como propomos. É preciso centrar os investimentos num grupo de cerca de 20 países, com aproximadamente 80% das emissões no mundo. Isso é mais produtivo que buscar um acordo global entre mais de cem países.

ÉPOCA - E como os investimentos podem baratear as energias limpas?

Shellenberger - É só ver o que aconteceu com os chips de computador. No fim dos anos 50, cada chip custava US$ 1.000. Depois que o Ministério da Defesa investiu pesado em sua produção, o preço despencou para US$ 20. Isso pode ser feito agora com tecnologias energéticas. Devemos criar tecnologias e fazer parcerias com países como a China para produzir essa tecnologia de forma barata. Também apoiamos o Brasil, capaz de produzir etanol de cana-de-açúcar de uma maneira muito barata.

ÉPOCA - Com a economia mundial em recessão, o senhor acredita que projetos ambientais ficarão em segundo plano?

Shellenberger - Tenho uma visão particular sobre a crise e suas conseqüências. Durante a recessão, ninguém vai aumentar o preço da eletricidade. Na crise, político nenhum vai tomar a impopular medida de encarecer os combustíveis. As crises são grandes momentos para gastos governamentais, com o objetivo de estimular a economia e os novos investimentos privados.

"É preciso centrar os investimentos nos 20 países que concentram 80% das emissões. Isso é mais produtivo que buscar um acordo global"

ÉPOCA - E como essa transição para energia limpa pode ser feita agora?

Shellenberger - Algumas coisas devem ser feitas, pelo menos aqui nos EUA. A primeira seria construir redes de transmissão de energia eólica de áreas com vento para as cidades. A segunda seria subsidiar a produção de carros elétricos. Isso nos daria mais independência do petróleo estrangeiro, que, além de caro, nos deixa vulneráveis em termos de segurança internacional. A terceira medida seria educar e treinar uma nova geração de engenheiros e cientistas para essa revolução tecnológica. Propomos um plano que consumiria cerca de US$ 10 bilhões em pesquisas, bolsas de estudos, estágios e treinamentos. Deveríamos também construir parcerias com economias emergentes e pulsantes, como Índia e China, para nos afastarmos do carvão e adotarmos o gás natural ou outras fontes limpas de energia.

ÉPOCA - Qual seria o papel do Brasil?

Shellenberger - Deveria ser feita uma parceria para destinar grandes investimentos para o país em diversos setores da economia em troca da conservação da Amazônia. Como o Brasil deverá sacrificar o crescimento econômico que a exploração da floresta traria, ele deve ser compensado por isso. Essa compensação deveria ser feita em investimentos na economia. Uma coisa em que o Brasil se destaca são os biocombustíveis, principalmente o etanol. A questão é se o Brasil pode ajudar outros países com seu etanol, inclusive os EUA. Além disso, a indústria brasileira é muito avançada. O Brasil poderia produzir maciçamente painéis solares, turbinas de vento e outras tecnologias de produção de energia limpa. Finalmente, são perceptíveis os investimentos estatais brasileiros em ciência e educação. Sugiro um consórcio global para investimentos em ciência e engenharia - e o Brasil seria um importante líder nesse grupo.

ÉPOCA - É possível frear o desmatamento da Amazônia?

Shellenberger - É um dos maiores desafios ecológicos do mundo. As queimadas e os desmatamentos emitem grandes quantidades de carbono. O Brasil ocupa um papel único: deseja conservar a Amazônia para as próximas gerações, mas também quer ser uma potência agrícola e econômica. O desafio de equilibrar esses dois desejos proporciona um estudo de caso extraordinário.

Fonte : ÉPOCA