quinta-feira, abril 23, 2009

Biocombustíveis de terceira geração????????



22/04/09 - Você provavelmente conhece veículos movidos a óleo vegetal, energia solar e eólica. O mais novo combustível a entrar nessa lista é o “pum” de vaca, de acordo com o blog Inhabitat. A empresa japonesa Yamaha está apostando em um carrinho de golfe que aproveita o metano emitido pela flatulência bovina (tida como um dos principais causadores do efeito estufa) como propulsor.

As pesquisas estão bem no início, mas o veículo, que foi testado em um campo de golfe em Katori, no Japão, já mostrou que suporta distâncias semelhantes aos carros comuns, porém não pode ser dirigido em alta velocidade. É também em Katori que fica a chamada “Cidade da Biomassa”, onde o esterco das vacas é processado e transformado nessa espécie de combustível orgânico.

O metano é estocado em um reservatório à base de carbono ativado que, com sua porosidade, ajuda na absorção do gás em baixa pressão. Quando o gás é colocado na presença desse tipo de carbono, o tanque pode suportar 30 vezes o seu volume em metano – eliminando assim a necessidade de um sistema de alta pressão, e custo elevado.

Agora, resta saber se os japoneses conseguiram eliminar o cheiro nada agradável do material.

Fonte:

segunda-feira, abril 13, 2009

Associação Brasileira para Sensibilizaçaõ, Coleta e Reciclagem dos Resíduos de Óleo de Cozinha

Há 02 anos, frente à SAMORCC, implantamos o Projeto de Coleta de Óleo de porta-a-porta, disponibilizando containeres em condominios e comércio em geral. Para tanto, fizemos parceria com a TREVO, que ganhou notoriedade.

O Projeto ultrapassou os limites geográficos do bairro, atingindo outras áreas da cidade, outros Municípios, outros Estados e até outros Países. (Atualmente estamos implantando o Projeto na Argentina)

Para ampliar o projeto, REUNIMOS AS SEIS COLETADORAS de óleo (Trevo, Lirium, Só-Óleo, Disk Óleo, Cml. Brentel e Giglio) + UM GRUPO DE AMBIENTALISTAS E EMPREENDEDORES e criamos a ECÓLEO: Associação Brasileira, para sensibilização, coleta e reciclagem dos resíduos de óleo de cozinha.

Juntas, coletam mais de 1 milhão de litros de óleo por mês!!! (praticamente 1 lago de óleo mes!) A quantia coletada, 1 milhão de litros/mês, representa menos de 5% do óleo descartado.

Considera-se que cada família descarte 1 litro de óleo/mes e que um litro de óleo contamina mais de 25 mil litros de água.


Assim, a ECÓLEO foi criada a finalidade de mobilizar Ongs e e governo, colaborando com as Prefeituras de cada cidade na implantação do Projeto, que vai desde a sensibilização até a reciclagem do resíduo coletado, criando-se eco-pontos, mobilizando as escolas, postos de polícia, postos de saúde, comércio, igrejas, etc., enfim, uma campanha que mobiliza, esclarece e cobra responsabilidades do Poder Público e da sociedade em geral.

O óleo descartado na pia, vasos ou meio-ambiente compromete a tubulação e polui águas, incidindo no custo desta.

Nos rios, lagos, etc., o óleo cria uma pelicula que impede a respiração e mata milhares de espécies de seres vivos - animais e vegetais.


Necessitamos de colaboração para ampla divulgação E IMPLANTAÇÃO desse projeto.


www.ecoleo.org.br - Tel. 3081.3418

sexta-feira, março 27, 2009

Estatal investirá US$ 2,4 bilhões em biodiesel

A Petrobras informou hoje que o Plano de Negócios da Petrobras Biocombustível prevê investimentos de US$ 2,4 bilhões no segmento de produção de biodiesel e etanol para o período de 2009-2013, sendo 91% no Brasil. Este valor faz parte do total de US$ 2,8 bilhões destinados pela Petrobras ao negócio de biocombustíveis, que prevê também US$ 400 milhões para infraestrutura, como alcooldutos. Os recursos totais representam um aumento de 87% em relação ao plano anterior. A estatal destinou ainda US$ 530 milhões neste período para pesquisas em biocombustíveis.

De acordo com o comunicado da companhia, dos US$ 2,4 bilhões, 80% serão investidos em etanol e 20% em biodiesel. Uma das metas da empresa é atingir em 2013 a produção de 640 milhões de litros de biodiesel no Brasil. Para isso, está prevista uma nova usina no norte do País, a duplicação da usina de Candeias (BA) e a adaptação para produção comercial das usinas experimentais de Guamaré, no Rio Grande do Norte. Também será desenvolvido um trabalho para ampliar a capacidade de produção das usinas de Quixadá (CE) e Montes Claros (MG). Será ainda analisada a possibilidade de aquisição de duas novas usinas.

Sobre a atuação internacional na área de biodiesel, a estatal explica ainda que terá continuidade o estudo do projeto em parceria com a portuguesa Galp Energia, que prevê a produção anual de 330 mil m³ de óleo vegetal no Brasil e de 320 mil m³ de biodiesel em Portugal. Também está prevista a implantação de uma unidade de produção de biodiesel na África.

Para o segmento de etanol, a meta da Petrobras é atingir, em parceria, a produção de 1,9 bilhão de litros em 2013, voltada para o mercado externo, e 1,8 bilhão de litros para o mercado interno. Segundo a empresa, o objetivo é fechar ainda este ano parcerias para quatro novos projetos de produção de etanol, envolvendo um parceiro internacional, que garanta mercado, e um produtor nacional de etanol. A empresa poderá ainda adquirir participação em usinas existentes. Fora do País, está sendo estudada uma unidade de produção de etanol na Colômbia.

Fonte: Invest News

Clérigo muçulmano diz que biocombustível é pecado

A produção e utilização de biocombustíveis poderão ser restringidas em comunidades muçulmanas depois que um estudioso do Islã conclamou grupos religiosos a estudar se os biocombustíveis violam a proibição ao álcool prevista pelo islamismo.

Em declaração ao jornal saudita Shams, o sheik Mohamed al-Najimi, da Academia Saudita de Jurisprudência Islâmica, disse que o profeta Maomé proibiu qualquer tipo de uso do álcool, o que incluiria compra, venda, transporte, consumo, provimento e produção.

O biodiesel produzido através do metanol estaria liberado segundo a interpretação do religioso. No entanto o clérigo não fez referência alguma ao biodiesel produzido pela rota etílica. Já o etanol combustível é derivado do álcool etílico, que segundo al-Najimi se encaixaria na categoria proibida. No processo de produção do etanol, o açúcar ou amido de origem vegetal é convertido em álcool etílico através de processo de fermentação com levedura.

Os biocombustíveis “são, basicamente, compostos de álcool”, afirmou ele.

Al-Najimi disse que sua opinião sobre os biocombustíveis não deve ser encarada como uma fatwa (interpretação religiosa com caráter legal no Islã), mas deve estimular os líderes islâmicos a estudarem a questão.

Ele acha também que uma proibição aos biocombustíveis deve se estender além de países predominantemente muçulmanos para abranger os jovens sauditas e muçulmanos que estudam no exterior e utilizam veículos movidos a biocombustível. Vários países do Ocidente e do Oriente estabeleceram o uso obrigatório de misturas de biocombustível, em porcentagens crescentes, na gasolina e no óleo diesel.

Fonte: Cleantech

Geocapital negoceia centro de investigação em Cabo Verde

Hong Kong, China, 26 Mar (Lusa) - A Geocapital está a negociar com o Governo de Cabo Verde a instalação no país de um centro de investigação, pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveis, disse hoje à agência Lusa Jorge Ferro Ribeiro, accionista da holding com sede em Macau.

Com interesses no sector financeiro de Cabo Verde e projectos de desenvolvimento de produção de biocombustíveis na Guiné-Bissau e Moçambique, a Geocapital quer aproveitar a experiência cabo-verdiana na produção de Pinhão Manso - Jatropha curcas , a espécie vegetal que vai utilizar em África para produzir combustíveis verdes.

Ferro Ribeiro explicou que o centro de investigação tem "como ponto de referência histórica um dado que não é muito divulgado, mas que é de grande interesse", que é o facto de Cabo Verde ter sido no início do século passado um grande produtor e exportador de jatrofa para França e Portugal.

"Já nessa altura o óleo de jatrofa era utilizado como energia alternativa e fazia a iluminação pública de importantes zonas urbanas em Portugal", disse.

O investidor salientou também que actualmente existem ainda produções de jatrofa em Cabo Verde, o que "reforça a razão" da parceria que será complementar a um acordo de cooperação que a Geocapital assinou em Lisboa com o Instituto de Investigação Científica Tropical também para a investigação relacionada com a produção de biocombustíveis.

Criada em Macau para "potenciar" o contexto económico e comercial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Oficial Portuguesa, através da actual Região Administrativa Especial da China, a Geocapital tem uma "presença muito forte e relevante" nos países de expressão portuguesa e "está a estudar um investimento na área financeira em Timor-Leste", disse Ferro Ribeiro.

Ainda na área dos biocombustíveis com recurso ao aproveitamento da jatrofa, Jorge Ferro Ribeiro, parceiro do magnata Stanley Ho na Geocapital, explicou à Lusa que a plantação desta espécie vegetal na Guiné-Bissau e em Moçambique deverá ser iniciada no final de 2009 ou início de 2010, acção que permitirá iniciar a produção de biocombustível "em dois ou três anos".

O projecto de produção nos dois países africanos segue uma filosofia de manter "em cada país toda a cadeia de valor do programa" que implicará a "construção e unidades industriais de refinação" adaptadas à dimensão das plantações que serão concretizadas, concluiu Ferro Ribeiro.

JCS.
Fonte:

quinta-feira, março 26, 2009

As respostas do campo às crises econômica e ambiental
João Guilherme Sabino Ometto*



“O Brasil está se movendo em direção à independência energética, através da expansão de fontes alternativas, como hidroeletricidade, etanol e biodiesel. A produção de etanol proveniente da cana-de-açúcar é sustentável em termos financeiros e ambientais, além de não afetar o cultivo de alimentos”. Esta vantagem competitiva, inúmeras vezes explicitada em nosso País por especialistas e representantes do governo e da iniciativa privada, seria redundante caso não fizesse parte do estudo “Baixas Emissões de Carbono, Alto Crescimento: A Resposta da América Latina para a Crise”, que acaba de ser divulgado pelo Banco Mundial (Bird).

Trata-se, assim, do reconhecimento de um dos mais respeitados organismos multilaterais de que os biocombustíveis e a energia de fontes agrícolas renováveis, conforme se pratica no Brasil, representam segura alternativa na busca da sustentabilidade, sem ameaça à cultura de alimentos e das mais importantes commodities. Considerando a credibilidade e significado do Bird, a sua clara posição quanto ao tema, um aval de inegável valor, representa passo importante para o País vencer as últimas reações de ceticismo aos seus programas de substituição da matriz energética.

Assim, a despeito da queda de preços do petróleo, o Brasil deve continuar investindo no fomento da bioenergia, ampliando paulatinamente seu alcance e abrangência. Como se sabe, o etanol já substituiu mais da metade do consumo interno de gasolina, utilizando-se apenas 1% das terras agricultáveis nacionais na cultura da cana-de-açúcar. Mais de 90% dos carros novos em circulação no País são flex fuel. A logística de distribuição garante acesso de toda a frota ao combustível.
O biodiesel também já se encontra nos postos de abastecimento de várias cidades brasileiras, inclusive a de São Paulo, onde roda a mais volumosa parcela de nossa frota. Esse biocombustível é importante salientar, reduz em 78% as emissões de gás carbônico e em 90% as de fumaça. Além disso, praticamente elimina as de óxido de enxofre. Estudos dos ministérios do Desenvolvimento Agrário, da Integração Nacional e das Cidades indicam que, para cada 1% de substituição de óleo diesel por biodiesel produzido com a participação da agricultura familiar, podem ser gerados cem mil empregos no campo.

Os números e dados dos programas brasileiros de bioenergia referendam outra constatação importante do estudo do Bird: “Essa abordagem (relativa às possibilidades de a América Latina contribuir para a solução dos problemas mundiais) poderia apoiar simultaneamente a recuperação econômica e estimular o crescimento nas áreas que atenuam o impacto das mudanças climáticas”. A observação reforça uma tese que parece inequívoca: o mundo não poderá prescindir de programas eficazes de energia limpa e preservação ambiental para solucionar a presente crise econômica, uma das mais graves da história. Ou seja, o capitalismo sobreviverá a esse profundo crash dos derivativos e suas consequências, mas terá de assimilar mudanças inerentes à sustentabilidade, em paralelo à maior responsabilidade e controle dos sistemas financeiros.

Essas irreversíveis tendências colocam o agronegócio no epicentro das soluções viáveis para a humanidade. Isto está muito claro no conteúdo de outro novíssimo estudo do Bird, o Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial de 2009, cujo tema básico é “Geografia econômica em transformação”. Diz o documento: “Todas as evidências indicam que a transição da atividade rural para a industrial é ajudada, e não prejudicada, por um setor agrícola saudável (...). Os incentivos direcionados à agricultura também ajudarão os estados atrasados a elevar os padrões de vida para os níveis dos adiantados”.

Todas essas questões evidenciam que o Brasil precisa apoiar cada vez mais o desenvolvimento de sua agropecuária, com a implementação de políticas públicas mais eficazes do que as adotadas até o momento. Nosso agronegócio vai bem, mas poderia ser muito melhor, não fossem gargalos como o do crédito, a dívida rural, os juros muito elevados, o desperdício causado pela deficiência da infraestrutura e os preços elevados dos insumos. Se o mundo reconhece que a resposta da sobrevivência está no campo, o principal protagonista desse processo - o Brasil - não tem o direito de vacilar.

*Engenheiro, membro do Conselho Universitário da Universidade de São Paulo.

Fonte: Jornal Agora

Mercado verde e promissor no Brasil

25/03/09 - O Brasil é hoje a menina do baile da sustentabilidade que todo mundo quer tirar para dançar. Há duas semanas, os alemães estiveram aqui para iniciar negócios com tecnologias sustentáveis, durante evento denominado Ecogerma. Agora são os suecos, que ensaiam uma aproximação, hoje e amanhã, para mostrar sua expertise verde em congresso temático. Não será nenhuma surpresa se, em breve, vierem também os dinamarqueses, os espanhóis e os ingleses - aliás o príncipe Charles deu o ar de sua graça recentemente para tratar prioritariamente de uma agenda ambiental.

Difícil apontar uma única razão para o encanto exercido pelo País. Certamente o seu charme decorre de um conjunto de fatores, entre os quais vale destacar a ascendência econômica, o vasto mercado interno, o pioneirismo do etanol ecologicamente correto, os evidentes gaps de investimentos de infra-estrutura em áreas correlatas às de meio ambiente e - é claro - a propriedade do mais rico patrimônio de recursos naturais do planeta, que tem na Amazônia o seu principal expoente. Nesses tempos de aquecimento global e corrida mundial para redução nas emissões de carbono, um País que possui 46% de fontes renováveis em seu modelo de geração de energia tende a ser visto como um exemplo de sucesso.

Deixando de lado interesses supostamente mais desprendidos na conservação das florestas tropicais (como garantia futura de ar respirável e clima equilibrado para a humanidade), o que atrai a atenção estrangeira é o potencial do mercado brasileiro e as muitas oportunidades que ele oferece. A alemã Roland Berger deu-se ao trabalho de sintetizá-lo em números.

Em parceria com a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, a consultoria concluiu estudo segundo o qual o mercado nacional de sustentabilidade corresponde a 0,8% do mercado mundial, com uma estimativa de crescimento interessante entre 5% e 7% ao ano até 2020. Esse índice aproxima-se do crescimento previsto em 6,5% para o mercado mundial no mesmo período. Avaliza as projeções de expansão o fato singelo de que as empresas brasileiras têm investido em tecnologias verdes apenas 1% do seu faturamento. Em números absolutos, os investimentos feitos aqui, no ano de 2007, com gestão de resíduos sólidos, água, saneamento e poluição do ar totalizaram US$ 5,2 bilhões. E os relacionados a energias renováveis ficaram em US$ 6,7 bilhões. Para quem acha que é muito dinheiro, uma informação comparativa: na Alemanha o mercado ambiental movimenta US$ 82 bilhões. O de energias limpas, recursos da ordem de US$ 40 bilhões.

Até mesmo os metódicos alemães, líderes mundiais em tecnologia sustentável, reconhecem a parte cheia do copo da sustentabilidade brasileira. Houve avanços importantes. Mas a expressiva parte vazia do mesmo copo indica, sobretudo, enormes possibilidades de negócio que ficarão mais nítidas tão logo se dispersem as sombras da crise econômica mundial. Um pouco mais de números sobre problemas que se apresentam como oportunidades: no Brasil o índice de materiais reciclados é de 12% contra 57% na Alemanha, apenas 39% de nossas cidades oferecem destino adequado para lixo e só 49% das residências têm saneamento básico. Mais investimento público, por meio de parcerias público-privadas, podem colocar o Brasil entre os três mais promissores mercados para tecnologias sustentáveis do mundo.

O estudo da Roland Berger identificou algumas oportunidades bem concretas. Uma delas está na adoção de novas regulações, que deverão resultar em processos de privatização ou de concessão de serviços públicos de água e saneamento. Outro campo com boas perspectivas é o da gestão de resíduos sólidos urbanos e industriais. Há um ambiente favorável, marcado, sobretudo, por uma nova regulamentação, em tramitação no congresso, que abrangerá a questão da separação e tratamento de resíduos. Uma terceira tendência observada refere-se ao estímulo e uso de energia renovável, com o reforço à utilização de biomassa, a exploração de pequenos rios e bacias hidrográficas e a geração de energia eólica num país riquíssimo em ventos. A necessidade de buscar maior eficiência energética com edificações, tecnologias de informação e materiais verdes corresponde à outra tendência identificada pela Roland Berger.

Feito no auge da crise do subprime, o estudo detectou o que esta coluna já havia apontado, no final do ano passado: o colapso econômico global vai reduzir, em 2009, investimentos em tecnologias sustentáveis (para 30% dos executivos entrevistados.) No entanto, 39% acreditam que haverá apenas um adiamento momentâneo, sem afetar metas planejadas.

Os próximos cinco a oito anos serão caracterizados - afirma o documento - por um desenvolvimento positivo do mercado brasileiro, em decorrência dos investimentos em infra-estrutura no âmbito do PAC, do uso crescente de tecnologias mais limpas e da ascensão de um consumidor mais interessado em produtos verdes. É esperar para confirmar.


Ricardo Voltolini
Fonte:

Petrobras deve investir US$ 158 bilhões no Brasil nos próximos cinco anos

O Plano de Negócios da Petrobras para o período 2009/2013 foi detalhado, nesta terça-feira (24), em audiência pública conjunta das comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Serviços de Infra-Estrutura (CI).

Gás e biodiesel

Questionado pelo presidente da CI, senador Fernando Collor (PTB-AL), sobre se o Brasil alcançaria autossuficiência na produção de gás com esses investimentos, Sérgio Gabrielli admitiu que vai conquistar apenas autonomia e independência. Dos 135 milhões de metros cúbicos diários de gás que o país deverá demandar em 2013, o dirigente diz que 71 milhões de metros cúbicos deverão vir da produção nacional, mas ressalva que 30 milhões de metros cúbicos continuarão, até 2019, a vir da Bolívia.

Dentro do PN 2009/2013, a produção de biocombustíveis deverá contar com US$ 2,8 bilhões em investimentos - considerado pouco por Sérgio Gabrielli -, dos quais 84% vão para a produção de biodiesel e 16% para etanol. A empresa trabalha com a ampliação da exportação de etanol de 1 milhão de metros cúbicos diários, em 2009, para 4,2 milhões diários em 2013 e, para tanto, está focada no mercado asiático, em especial no Japão.

Já a meta de produção de biodiesel deve saltar de 1,3 milhão de metros cúbicos diários, em 2009, para 2,6 milhões em 2013. Os Estados Unidos são vistos como um mercado "promissor e atraente" para esses produtos, mas, segundo o presidente da Petrobras, não é prioridade por conta da produção própria de álcool à base de milho e pelas barreiras alfandegárias impostas ao produto brasileiro.

Simone Franco / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

terça-feira, dezembro 23, 2008

terça-feira, dezembro 09, 2008

Cartilha: Herança Global - mudanças que o aquecimento global reserva

A cartilha explica, de forma bem didática, questões relacionadas às mudanças climáticas, trazendo dados sobre as emissões de gases do efeito estufa, as prováveis consequências climáticas no Brasil e no mundo, esclarecimentos sobre o Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima e o que você pode fazer para reduzir a sua contribuição ao aquecimento global. O material, de autoria da jornalista Júlia Antunes Lourenço, foi apresentado como Trabalho de Conclusão de Curso em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

A cartilha é nteressante para usadaa como ferramenta de educação ambiental. Os interessados em utilizá-la para algum fim educativo ou comercial devem entrar em contato com a autora pelo email julia.al@gmail.com.

Veja a cartilha clicando aqui

Fonte

Etanol e biodiesel, heróis ou vilões?

Até que ponto essa questão é pertinente?


Com a crise dos alimentos em 2008, governantes e empresários de várias partes do mundo relacionaram a expansão dos biocombustíveis com a alta no preço da comida. Como o mercado de energia abriga múltiplos interesses, dá para desconfiar das críticas. Mas até que ponto elas são pertinentes?

Em 2006, a produção mundial de etanol foi de 40 bilhões de litros e a de biodiesel, de 6,5 bilhões. Os EUA defendem seu etanol de milho ao afirmar que só 3% da inflação dos cereais é causada pelos biocombustíveis. Para a ONU, os biocombustíveis respondem por 10% da alta de preço da comida, e, para o Banco Mundial, por 75%.

Ao lado dessa polêmica, cresce o consenso de que biocombustível não é sempre igual. O impacto sobre o preço dos alimentos é bem diferente quando se considera o álcool combustível brasileiro, feito da cana, o etanol norte-americano, fabricadocom milho, e o biodiesel europeu, feito de grãos como o trigo. Nessa disputa, nosso país está bem posicionado.

OS GIGANTES DO ETANOL



Distribuição da produção mundial de etanol - 2007

Produção concentrada
Brasil e EUA concentram a produção de etanol. Os especialistas consideram que o etanol de cana, feito no Brasil, não ameaça a produção de alimentos. Já o etanol de milho exige que se desvie parte do cereal que iria para a mesa de milhões de pessoas,nos EUA e no México, onde o milho é a base da alimentação popular.

A EUROPA DOMINA O BIODIESEL

Distribuição da produção mundial de biodiesel, em 2006

CRESCE A PRODUÇÃO DE ETANOL

Milhares de toneladas equivalentes de petróleo

Açúcar versus grãos

Compare este gráfico com o dos preços dos grupos de alimentos, na matéria O mundo vive rebeliões por fome. Repare como são diferentes as dinâmicas dos preços do açúcar e dos grãos (veja os gráficos na matéria Por que sobe o preço dos cereais). Enquanto os grãos subiram com os combustíveis, o açúcar se comporta de maneira mais livre.

A INFLUÊNCIA DO PETRÓLEO

Variação nominal da cotação do petróleo, em média, em dólar, e dos preços dos amimentos

Comida no prato ou no motor?

A partir de 2005, os biocombustíveis feitos com grãos tornaram-se importantes para os países ricos. Lester Brown, fundador do Worldwatch Institute, prevê que daqui para a frente o preço da comida e o do petróleo estarão amarrados. Para ele, sempre que a cotação da comida for menor que a do combustível, os grãos e os recursos naturais seguirão para o setor energético.

COMPARE OS ETANÓIS



Vantagens da cana

Para a ONG Oxfam, a política de biocombustíveis dos países ricos pouco tem a ver com questões ambientais ou de segurança alimentar, como alegam seus governos, mas, sim, com sua disputa por mercados. Como prova, a entidade cita as tarifas sobre o etanol do Brasil, cujo objetivo real é proteger as próprias produções.

Do: Guia do Estudante - Atualidades e Vestibular 2009

Fonte:

Vacas menos poluentes

Cientistas do mundo todo buscam soluções para diminuir a emissão de gás metano por animais ruminantes. Uma nova pesquisa - realizada por cientistas em Zurique, em parceria com diversos países, entre eles o Brasil - mostra que plantas tropicais podem minimizar o problema. E ainda há outras iniciativas, no Reino Unido, no Brasil, na Nova Zelândia, na Suécia...


É difícil de imaginar, mas é verdade. Apesar da aparência pacata e bucólica, as vacas também são responsáveis pelo efeito estufa e o aquecimento global. Durante o processo digestivo do animal, ele emite gás metano, que é cerca de 20 vezes mais potente que o dióxido de carbono (CO2). Estima-se que 16% da poluição mundial seja proveniente da pecuária. Mas os bovinos não são os únicos vilões. Cabras, ovelhas e búfalos também causam o mesmo problema.

Diferente do ser humano, os animais ruminantes têm quatro estômagos. Os dois primeiros são o rúmen e o retículo, onde o bolo alimentar se mistura continuamente. Dentro deles, há uma concentração enorme de microorganismos (bactérias, protozoários e fungos). Como todo esse processo de fermentação dos alimentos é anaeróbico (sem presença de ar), o gás metano é produzido e acaba sendo expelido pelo animal. Uma vaca pode liberar de 150 a 500 litros de gás por dia, dependendo de sua espécie e finalidade. “O problema não está na digestão das vacas. Mas, sim, no aumento exorbitante do rebanho mundial para suprir a demanda por alimentos e outros produtos”, afirma o professor alemão Michael Kreuzer, especialista em alimentação animal, do ETH Zürich - Instituto de Ciências Animais da Escola Politécnica de Zurique.

Kreuzer estuda o assunto há mais de 20 anos. Em seus últimos experimentos, o especialista alemão constatou que, ao adicionar substâncias provenientes de plantas tropicais na dieta alimentar do animal, é possível diminuir a emissão de metano. Foram testados três tipos de aditivos alimentares. Primeiramente, gordura de coco, linhaça e de sementes de girassol. Essas substâncias conseguem inibir a proliferação de um microorganismo no rúmen, responsável pela produção do metano. Na segunda fase da pesquisa, foram testados saponinas (encontradas nos frutos do jequiriti ou quilaia) e tanino (originário de alguns tipos de acácia). “Os resultados mostraram diminuição do metano em até 20%”, revela Kreuzer. Para comprovar esses valores, a equipe do ETH colocou vacas e ovelhas dentro de uma câmara de vidro, alimentou-as durante dois dias e ficou monitorando a emissão de gases.

Os cientistas também sabem que vacas alimentadas exclusivamente com ração produzem um terço do metano do que as que comem em pastos. “O metano se origina, principalmente, da digestão da celulose dos alimentos verdes”, explica o professor do ETH. Entretanto, além do capim e feno serem bem mais baratos e saudáveis, se pecuaristas decidissem utilizar somente ração, o dano para o meio ambiente seria igualmente ruim.

Encontrar soluções “naturais” para o problema é o ideal, já que essas alternativas dificilmente afetam a qualidade nutricional e o gosto do leite e da carne. As leis européias proíbem o uso de antibióticos para reprimir a formação de metano (prática largamente utilizada em muitos países) e a injeção de microorganismos modificados geneticamente no rúmen.

Entretanto, para tornar a ingestão dos aditivos alimentares de plantas tropicais uma alternativa comercialmente viável, seria necessário que a produção dessas substâncias fosse realizada nos países de origem, já que atualmente elas ainda são raras e caras. Durante as pesquisas, elas foram adicionadas na alimentação dos animais em forma de pó.

PARCERIA BRASILEIRA

A pesquisa realizada pelo ETH Zürich conta com colaboradores essenciais para o sucesso do projeto: parcerias com universidades de vários países em desenvolvimento, como Colômbia, Peru, Brasil, Bolívia, Quênia, Etiópia, Indonésia e outros. Com isso, garante-se que pesquisadores façam um trabalho conjunto em diversas áreas. O objetivo do ETH Zürich é fomentar a pesquisa nesses lugares e encontrar soluções baratas e simples, que possam ajudar a economia local e o meio ambiente. “Queremos auxiliar os países que realmente necessitam”, diz Kreuzer.

O Brasil possui o maior rebanho comercial de bovinos do mundo. Segundo o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2007, o país tinha 192 milhões de cabeças, sendo 89% bovinos, 7% ovinos, 3,5% caprinos e 0,5% bubalinos. Desde 2002, o CENA/USP - Centro de Energia Nuclear na Agricultura tem uma parceria com o ETH Zürich, financiada pela AIEA - Agência Internacional de Energia Atômica. “Estamos pesquisando a utilização de plantas taniníferas brasileiras na manipulação dos microorganismos ruminais e mitigação de metano entérico”, explica Adibe Abdalla, professor do CENA. “Nas câmaras para quantificação de metano in vivo, tivemos resultados promissores com a planta Sansão do Campo (mimosa caesalpiniaefolia), adicionada à dieta de ovinos da raça Santa Inês, com uma redução de cerca de 17% na liberação do gás”, comemora Abdalla.

Os pesquisadores do CENA também estão investigando a eficácia de resíduos (co-produtos), obtidos após a extração do óleo das sementes do algodão, do pinhão manso e do girassol, utilizados para a produção de biodiesel. As chamadas “tortas” desses resíduos melhoram a qualidade da dieta dos animais e reduzem a emissão do metano em cerca de 6%.

Outro instituto brasileiro que desenvolve estudos nessa área é a Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Além de pesquisar novos tipos e a melhora da qualidade de forragens (alimentos), existe um projeto de longo prazo para produzir vacinas para controlar os microorganismos produtores de metano (metanogênicos).

Em todo o mundo cientistas se debruçam sobre o tema e realizam novas experiências. No Reino Unido, por exemplo, o professor Athole Marshall, do IGER - Institute of Grassland and Environmental Research, da Aberystwyth University, está conduzindo uma pesquisa com uma espécie de trevo, o birdsfoot trefoil (lotus corniculatus). “Estamos interessados no birdsfoot trefoil porque ele tem tanino, o que protege a proteína no rúmen e evita o inchaço do animal”, afirma Marshall. Ainda está sendo analisada a quantidade ideal de tanino para as vacas. Outro desafio dos pesquisadores ingleses é a escassez da planta no país. Além de não ser encontrada em grandes quantidades, quando plantada junto ao capim, ela acaba desaparecendo após uns dois anos.

Já na Nova Zelândia, outro lugar onde o tema é realmente levado à sério, o governo criou um órgão específico – Ministério do Meio Ambiente - responsável por achar alternativas e criar leis para conter a emissão dos chamados greenhouse gases. Quando o problema foi levado à tona, anos atrás, cogitou-se taxar os pecuaristas neozelandeses, um dos maiores exportadores mundiais, pela produção de metano pelos seus rebanhos. Os produtores disseram “não” e fizeram uma contra-proposta. Em vez de pagar taxas, financiariam pesquisas. É o que vem sendo feito. Recentemente foi divulgado o desenvolvimento de uma espécie de grama, geneticamene modificada, que é digerida mais facilmente pelas vacas e, consequentemente, libera menos gás metano. O novo capim ainda está em fase de testes.

METANO TRANSFORMADO

Algumas empresas privadas estão investindo em novas maneiras - criativas e lucrativas, para dar fim ao metano. A sueca Svensk Biogás é uma delas. Ela utiliza carnes - que seriam incineradas ou então jogadas no lixo pelos abatedouros - para produzir biogás. O metano é retirado de restos de estômago, intestino, rim, fígado e até do sangue dos bovinos, através de um processo de fermentação. Depois de tratado – filtrado com água e removido o máximo possível de CO2, o gás pode ser utilizado como combustível em carros, táxis, caminhões e, inclusive, trens. Segundo a empresa, Amanda é o primeiro trem do mundo movido somente a biogás. O produto da Svensk também é usado na frota de ônibus da cidade, Linkoping, onde fica a sede da companhia.

Além de carne de vaca, também são utilizadas sobras de porcos e galinhas. São 54 mil toneladas de dejetos transformados em cinco milhões de metros cúbicos de biogás por ano.

Outro projeto pioneiro vem de uma fazenda em Fresno, na Califórnia. O metano está sendo retirado de esterco de gado e transformado em gás. The Vintage Dairy Biogas Project virou realidade graças ao sonho e esforço do pecuarista David Albers e uma parceria estratégica com a empresa Pacific Gas and Electric, que compra e distribui o gás. Albers espera produzir gás suficiente para abastecer 1200 casas por dia.

Fonte:

Leia também: A poluição que vem da mata
Bife aguado
Mão amarela

UE consegue acordo para que 20% da energia seja renovável em 2020

09/12/08 - A União Européia (UE) alcançou hoje um acordo para que 20% da energia que consumir em 2020 seja renovável, uma das medidas de combate à mudança climática que a cúpula européia desta semana busca aprovar.

A decisão foi adotada em reunião entre representantes do Conselho Europeu, da Comissão Européia e do Parlamento Europeu que concluiu hoje, dentro da intensa série de negociações prévias que buscam definir no possível um acordo diante da cúpula da quinta e sexta-feira próximas.

O acordo estabelece que os 27 países da UE terão objetivos nacionais vinculativos para conseguir esse 20% no conjunto do bloco, assim como planos de ação detalhados para alcançar esse fim.

A Comissão Européia terá poderes para fazer um acompanhamento do cumprimento desses planos nacionais e lançar procedimentos de infração contra os países que não cumprirem.

A cláusula de revisão de 2014 não afetará os objetivos nem os planos nacionais.

Estabelece também que 10% do combustível do transporte procederá de biocombustíveis renováveis.

Dentro desses 10%, não haverá uma cota mínima obrigatória para biocombustíveis de segunda geração, hidrogênio ou eletricidade, mas está previsto um sistema de bonificação para incentivar a utilização destes.

O acordo coloca a energia renovável no topo das medidas energéticas da Europa, criará até 2 milhões de novos empregos e garantirá a liderança da UE em tecnologias de vanguarda, disse o eurodeputado Claude Turmes, em comunicado.

Fonte:

Da Agência

"O ambientalismo morreu"

Quando os ambientalistas Michael Shellenberger e Ted Nordhaus publicaram o ensaio A Morte do Ambientalismo, em 2004, sabiam que era provocativo, mas não esperavam se tornar os garotos malvados do movimento verde. Eles diziam que a onda ambientalista não seria capaz de lidar com o aquecimento global, porque o problema teria uma natureza econômica em vez de ecológica. Os responsáveis pela emissão dos gases de efeito estufa, diziam eles, eram os mesmos que fazem a economia girar. E nenhum país limitaria a emissão de carbono à custa do crescimento econômico. Essa visão desagradou à velha guarda, mas inspirou a nova geração de ambientalistas. Shellenberger e Nordhaus foram eleitos Heróis do Ambientalismo de 2008, prêmio concedido pela revista Time. ÉPOCA conversou com Shellenberger para saber mais sobre a morte do ambientalismo e o que poderá substituí-lo.

QUEM É: Presidente e estrategista político da organização ambientalista The Breakthrough Institute (algo como Instituto da Ruptura)

O QUE FEZ: Trabalhou para grandes fundações americanas, como o Sierra Club. Sua tese de mestrado em Antropologia pela Universidade da Califórnia foi sobre os conflitos de terra no Maranhão. Foi escolhido pela revista Time como um herói do meio ambiente

O QUE PUBLICOU: The Breakthrough: from the Death of Environmentalism to the Politics of Possibilities (A Ruptura: da Morte do Ambientalismo à Política das Possibilidades, em uma tradução livre)

ÉPOCA - Por que o senhor diz que o ambientalismo morreu?

Michael Shellenberger - O ambientalismo foi fundado sobre uma visão de que os humanos são intrusos na natureza. E de que a ação humana é uma contaminação. A solução óbvia seria limitar a poluição e a invasão humana. Funcionou bem para problemas pequenos e localizados, como a poluição do ar e das águas. Mas, quando enfrentamos um desafio como o aquecimento global, essa política de limitação não funciona. É preciso uma política de possibilidades, algo voltado para impulsionar as grandes aspirações humanas, algo voltado para o investimento e para a criação de uma nova economia. Algo como usar o consumo e a produção como ampliadores da capacidade humana, sem atacar o meio ambiente. E isso só será possível com fontes limpas de energia.

ÉPOCA - Qual é o problema do discurso ambiental de hoje?

Shellenberger - É importante apresentar o problema e a solução. O que o ambientalismo faz é descrever o pesadelo do aquecimento global. O movimento ecológico de hoje raramente descreve o sonho de uma economia baseada em energias limpas, num mundo onde 6,5 bilhões de pessoas podem viver prosperamente. Precisamos articular uma visão inspiradora do futuro. Se fizermos isso, seremos capazes de mobilizar uma ação coletiva para concretizar os investimentos que precisam ser feitos. Essa visão positiva, porém, não é suficiente.

ÉPOCA - Por quê?

Shellenberger - Porque os líderes ambientalistas vêem o aquecimento global como um problema de poluição similar aos do passado. No combate à chuva ácida nos Estados Unidos, foi permitido às empresas que trocassem entre si a permissão para emitir certos níveis de poluição. Mas esse modelo é restrito para enfrentar as mudanças climáticas. Elas exigem uma transformação tecnológica bem mais cara.

ÉPOCA - Que tipo de transformação?

Shellenberger - Transformações tecnológicas que nos possibilitem adotar fontes limpas de energia, mais caras que os combustíveis fósseis. Não é sensato esperar que os governos taxem os combustíveis fósseis para os consumidores procurarem as fontes de energia limpa. Politicamente, essa abordagem não vai dar certo. Especialmente durante a crise econômica. O que funcionaria seriam grandes investimentos estatais em tecnologia, infra-estrutura e educação. Os governos tradicionalmente gastam dinheiro nas recessões para estimular a economia. Agora, esse investimento deve ser feito em tecnologia para baratear energia limpa. Defendemos um portfolio de investimento em diferentes tecnologias. Pode variar da captura e do armazenamento de carbono à energia solar ou à construção de linhas de transmissão para trazer energia de lugares onde venta muito para as áreas urbanas. Há também os biocombustíveis e a energia geotérmica. Todas essas fontes de energia exigiram apoio governamental.

ÉPOCA - Qual seria o papel de economias emergentes, como o Brasil?

Shellenberger - Os países mais ricos, incluindo os EUA e os europeus, deveriam ceder US$ 100 bilhões por ano. Esse dinheiro seria investido nos países desenvolvidos e nas economias emergentes. Poderia ser usado para construir centros de captura e armazenamento de carbono na Índia ou para carros elétricos na China.

ÉPOCA - Não seria ingenuidade esperar por essa mobilização internacional?

Shellenberger - Não necessariamente. As pessoas não se dão conta, mas os EUA investiram bilhões de dólares para reconstruir a Europa após a Segunda Guerra Mundial. Eles formaram uma aliança chamada Comunidade Européia do Carvão e Aço. Essa parceria foi o embrião da União Européia e contou com investimentos centrados em energia e infra-estrutura, assim como propomos. É preciso centrar os investimentos num grupo de cerca de 20 países, com aproximadamente 80% das emissões no mundo. Isso é mais produtivo que buscar um acordo global entre mais de cem países.

ÉPOCA - E como os investimentos podem baratear as energias limpas?

Shellenberger - É só ver o que aconteceu com os chips de computador. No fim dos anos 50, cada chip custava US$ 1.000. Depois que o Ministério da Defesa investiu pesado em sua produção, o preço despencou para US$ 20. Isso pode ser feito agora com tecnologias energéticas. Devemos criar tecnologias e fazer parcerias com países como a China para produzir essa tecnologia de forma barata. Também apoiamos o Brasil, capaz de produzir etanol de cana-de-açúcar de uma maneira muito barata.

ÉPOCA - Com a economia mundial em recessão, o senhor acredita que projetos ambientais ficarão em segundo plano?

Shellenberger - Tenho uma visão particular sobre a crise e suas conseqüências. Durante a recessão, ninguém vai aumentar o preço da eletricidade. Na crise, político nenhum vai tomar a impopular medida de encarecer os combustíveis. As crises são grandes momentos para gastos governamentais, com o objetivo de estimular a economia e os novos investimentos privados.

"É preciso centrar os investimentos nos 20 países que concentram 80% das emissões. Isso é mais produtivo que buscar um acordo global"

ÉPOCA - E como essa transição para energia limpa pode ser feita agora?

Shellenberger - Algumas coisas devem ser feitas, pelo menos aqui nos EUA. A primeira seria construir redes de transmissão de energia eólica de áreas com vento para as cidades. A segunda seria subsidiar a produção de carros elétricos. Isso nos daria mais independência do petróleo estrangeiro, que, além de caro, nos deixa vulneráveis em termos de segurança internacional. A terceira medida seria educar e treinar uma nova geração de engenheiros e cientistas para essa revolução tecnológica. Propomos um plano que consumiria cerca de US$ 10 bilhões em pesquisas, bolsas de estudos, estágios e treinamentos. Deveríamos também construir parcerias com economias emergentes e pulsantes, como Índia e China, para nos afastarmos do carvão e adotarmos o gás natural ou outras fontes limpas de energia.

ÉPOCA - Qual seria o papel do Brasil?

Shellenberger - Deveria ser feita uma parceria para destinar grandes investimentos para o país em diversos setores da economia em troca da conservação da Amazônia. Como o Brasil deverá sacrificar o crescimento econômico que a exploração da floresta traria, ele deve ser compensado por isso. Essa compensação deveria ser feita em investimentos na economia. Uma coisa em que o Brasil se destaca são os biocombustíveis, principalmente o etanol. A questão é se o Brasil pode ajudar outros países com seu etanol, inclusive os EUA. Além disso, a indústria brasileira é muito avançada. O Brasil poderia produzir maciçamente painéis solares, turbinas de vento e outras tecnologias de produção de energia limpa. Finalmente, são perceptíveis os investimentos estatais brasileiros em ciência e educação. Sugiro um consórcio global para investimentos em ciência e engenharia - e o Brasil seria um importante líder nesse grupo.

ÉPOCA - É possível frear o desmatamento da Amazônia?

Shellenberger - É um dos maiores desafios ecológicos do mundo. As queimadas e os desmatamentos emitem grandes quantidades de carbono. O Brasil ocupa um papel único: deseja conservar a Amazônia para as próximas gerações, mas também quer ser uma potência agrícola e econômica. O desafio de equilibrar esses dois desejos proporciona um estudo de caso extraordinário.

Fonte : ÉPOCA

sexta-feira, dezembro 05, 2008

UE destrava caminho para biocombustíveis

A União Européia encerrou na quinta-feira a batalha interna que travava sobre o futuro dos biocombustíveis - etanol e biodiesel - em seus planos de maior utilização de energias renováveis. A conclusão do impasse, menos restritiva à agroenergia, foi comemorada pelo Brasil e deverá ajudar na criação do mercado global para o etanol.

A briga envolvia a meta obrigatória proposta pela Comissão Européia de uso de 10% de energia renovável nos transportes até 2020 para combater o aquecimento global. Grande parte disso deve vir de etanol e biodiesel, criando um amplo mercado que deve ser atendido por exportadores como o Brasil.

Mantida a meta, vem a exigência de critérios de sustentabilidade para etanol e biodiesel, que pode se transformar em uma "armadilha ecológica". Dai a importância do acordo, já que os critérios propostos pelo Parlamento Europeu eram tão restritivos que a produção de etanol só seria possível no deserto, pelos cálculos brasileiros.

Parlamentares queriam reduzir a parte de biocombustíveis e atribuir uma fatia maior da meta para a promoção de energia eólica e solar, entre outras. Mas na quinta-feira, enfim, as três grandes instituições do bloco - Comissão Européia (braço executivo da UE), Conselho (que reúne os governos), e Parlamento - chegaram a outro compromisso.

"Pelas informações de que dispomos, os resultados foram muito satisfatórios para os interesses do Brasil e de outros países em desenvolvimento", afirmou o embaixador brasileiro junto à UE, Ricardo Neiva Tavares. Já o deputado Claude Turmes, negociador pelo Parlamento Europeu, disse que o percentual de 10% para os biocombustíveis foi "seriamente minado", e que o "futuro dos carros será elétrico na Europa".

Na verdade, o Parlamento chegou a propor acabar com a meta para uso de biocombustíveis, e depois tentou limitá-la a 6%. A novidade no acordo de quinta-feira é que nada disso prosperou. Foi mantida a meta de 10% de energia renovável, sem meta determinada para etanol. Ainda assim, a primeira grande ameaça contra o produto foi superada.

Energia renovável usada em trens será levada em conta, mas isso representa menos de 1%. E o espaço para etanol e biodiesel só será reduzido se as montadoras de fato conseguirem produzir um carro elétrico competitivo, o que na situação atual parece distante.

Ambientalistas tinham aberto uma guerra contra o etanol e o biodiesel também por causa do impacto sobre o uso da terra, apontando os produtos como culpados pela explosão do preço de alimentos e desmatamento de florestas.

Mas as emendas do Parlamento para restringir o uso da terra na produção do etanol no cerrado brasileiro, por exemplo, também foram excluídas do texto final. Está valendo a restrição original da Comissão Européia, de não produção de etanol nas áreas úmidas e florestais, para que ele seja considerado sustentável.

Só que aí também houve mudanças comemoradas pelo Brasil. A proposta do Parlamento sobre definição de floresta para produção sustentável de etanol era de área com 10% de cobertura de árvores. Em área com mais de 10%, a produção deveria ser proibida.

Esse conceito foi rejeitado. Prevaleceu a definição da Comissão Européia, que considera floresta tudo que tem pelo menos 30% de árvores com mais de cinco metros. Essa restrição não é considerada muito preocupante para o Brasil, porque vegetação com densidade maior não passaria em outro critério.

Para serem enquadrados nas exigências de sustentabilidade e combate ao aquecimento, os biocombustíveis têm de garantir um mínimo de redução de efeito de gases estufa. Assim, a exigência estabelecida é que o álcool tem de reduzir as emissões em 35% ou mais quando comparado à gasolina, passando para 50% em 2017. As fábricas novas que entrarem em operação a partir de 2018 terão de reduzir as emissões em 60%.

Para o etanol brasileiro, é algo tranqüilo, pois no mínimo o produto reduz as emissões em 70% - o percentual pode chegar a 90% -, segundo especialistas. A situação muda para o biodiesel de soja.

Outra preocupação envolvia restrições sobre mudança de uso da terra para biodiversidade. O Parlamento queria deixar em aberto a possibilidade de incluir novas exigências. Agora, a redação final veta a produção de etanol em áreas de de alto valor para biodiversidade, como florestas primárias, pradarias e parques nacionais.

Ponto igualmente sensível e combatido pelo Brasil envolvia o efeito indireto do biocombustível por mudanças no uso da terra. Alguns deputados europeus consideram que a produção de etanol no Nordeste brasileiro, por exemplo, escasseia a terra para produzir alimentos e leva agricultores a desmatar a Amazônia. Dessa forma, o cálculo da eficiência ambiental do etanol importado do Brasil teria que incluir o volume de emissões de gases estufa no desmatamento da Amazônia, mesmo se não foi para produzir biocombustível.

Agora, foi aprovada uma sugestão para que a Comissão Européia apresente um relatório em 2010 primeiro analisando se o problema é importante e como lidar come ele, sem pré-julgamentos.

Com relação a critérios sociais na produção de biocombustíveis, o Parlamento queria introduzir uma lista enorme de exigências. O acordo podou boa parte. Sobraram duas exigências. Uma da Comissão Européia, que vai ter de analisar o impacto da produção de biocombustíveis - posse da terra, preços dos alimentos, condições de trabalho - a cada dois anos tanto nos países exportadores como nos países-membros do próprio bloco.

Nesse caso, o relatório deve indicar se os países exportadores ratificaram as principais convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Só uma o Brasil não ratificou, sobre unicidade sindical. A Constituição brasileira estabelece que um município só pode ter um sindicato para uma categoria.

A Comissão Européia também deve relatar o impacto dos biocombustíveis em outros aspectos ambientais - água, solos e poluição do ar, queimada de canaviais na região etc. Para os brasileiros, isso é inofensivo comparado ao que os ambientalistas queriam.

Em contrapartida, o segundo relatório detalhado sobre critérios sociais deve vir dos produtores do combustível. Uma usina de álcool em Sao Paulo vai ter de explicar ponto por ponto se respeita - e como - as condições de trabalho. Resta uma cláusula atenuante, pela qual a Comissão Européia pode determinar quais informações são realmente relevantes.

Por um acordo na Rodada Doha, o Brasil terá entre 4% e 10% do mercado de etanol europeu ao longo de sete anos. Com regras claras de sustentabilidade, fica difícil para a UE dar com uma mão (as cotas) e tirar com a outra (por meio de exigências duras). Atualmente, o Brasil já tem 70% do mercado do velho continente. Com critérios de sustentabilidade considerados equilibrados, a tendência é de o comércio ter previsibilidade.

O diálogo do Brasil com a Comissão Européia é bom, comparado às dificuldades com o Parlamento. Uma recente reação do Brasil e outros seis países, que chegaram a ameaçar denunciar a UE na Organização Mundial do Comércio (OMC), teve efeito no acordo final, acreditam técnicos.

Na prática, as duas diretivas européias - de energias renováveis e qualidade de carburantes - são centrais para o desenvolvimento da política européia para o biocombustível e para o projeto do Brasil de tornar o etanol uma commodity global. O problema agora é nos Estados Unidos, com os planos da futura administração de Barack Obama de supostamente reduzir os subsídios para a produção americana.

Fonte:

quinta-feira, novembro 27, 2008

A crise e a revolução verde

27/11/08 - Os dirigentes mundiais devem se lembrar que enfrentamos duas crises: a financeira, que é a mais imediata, e a climática que possui um caráter mais existencial. A urgência da primeira não é desculpa para se descuidar da segunda. Pelo contrário, é uma oportunidade para matar dois coelhos com uma cajadada só.

Deixemos de lado os argumentos habituais: que o conhecimento científico sobre as mudanças climáticas é claro, que o problema se agravará se não agirmos, que combater o aquecimento global é um imperativo moral. Em vez disso, procuremos argumentar em termos de pragmatismo econômico.

O crescimento mundial está mais lento. Os orçamentos estão mais limitados. É provável que tenhamos menos recursos para resolver uma lista cada vez mais longa de problemas. Que medidas podemos tomar para criar empregos e incentivar o crescimento? Como garantir o abastecimento energético a preços viáveis? Que devemos fazer para proteger o sistema financeiro mundial para que os povos de todos os países possam colher os benefícios do desenvolvimento e viver com estabilidade?

A resposta é encontrar soluções comuns para os graves desafios que enfrentamos. E no caso dos dois mais graves - a crise financeira e as mudanças climáticas - a resposta é a economia verde. Se nosso estilo de vida está ameaçado, temos que nos adaptar. Os cientistas concordam: precisamos de uma revolução energética, uma transformação no tipo de energia que utilizamos. Os economistas também estão de acordo: o setor onde se registra um crescimento mais rápido é o das energias renováveis.

Os filósofos pragmáticos nos lembram que o amanhã começa hoje. Sim, a crise financeira possui uma importância fundamental. Mas enfrentaremos um desafio igualmente importante no começo de dezembro, quando os países se reunirão em Poznan, na Polônia, para o próximo ciclo de negociações sobre a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. O seu objetivo é preparar o terreno para um importante acordo em Copenhague, em dezembro do próximo ano, quando os líderes mundiais se reunirão para negociar um acordo sobre mudanças climáticas que todos os países possam adotar.

Mas os desejos não se traduzem automaticamente em atos. Mas sejamos claros: é isso que as pessoas, as empresas, os investidores e os governos querem. De fato, isso já está acontecendo. O Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) calcula que o investimento mundial em energias que não geram gases do efeito estufa atingirá US$ 1,9 bilhão em 2020. No mundo inteiro, há quase dois milhões de pessoas empregadas nas novas indústrias de energia eólica e solar, metade delas na China. O programa de biocombustíveis do Brasil vem criando quase um milhão de empregos por ano. Na Alemanha, o investimento em tecnologias ambientais deverá quadruplicar nos próximos anos, atingindo 16% da produção da indústria transformadora em 2030, e empregando mais trabalhadores do que a indústria automobilística.

Não é necessário esperar que as novas tecnologias cheguem, nem nos preocupar excessivamente com os custos de ação. Alguns estudos revelam que os Estados Unidos poderiam reduzir as emissões de carbono por um custo baixo ou nulo, utilizando os conhecimentos existentes. Podemos nos inspirar no caso da Dinamarca, que realizou grandes investimentos no crescimento verde. Desde 1980, o seu PIB aumentou 78%, tendo-se apenas registrado aumentos mínimos no consumo de energia. A Polônia conseguiu reduzir suas emissões em um terço nos últimos 17 anos, enquanto a sua economia se expandia. Para as empresas, este tipo de poupança traduz-se em lucros. Hoje as empresas européias do setor das tecnologias verdes estão usufruindo de vantagens consideráveis por terem sido as primeiras no mercado, representando um terço deste mercado.

Com as políticas certas e com incentivos financeiros, podemos ter crescimento econômico com baixo nível de emissões de carbono. Com as políticas e os incentivos certos, podemos garantir que os países desenvolvidos e em desenvolvimento contribuam para a causa da luta contra o aquecimento global, usando seus próprios métodos, sem comprometer o direito de cada país ao desenvolvimento e ao bem-estar econômico dos seus cidadãos.

Os empresários com visão mais clara sabem disso. Essa é uma das razões pelas quais exigem políticas claras e coerentes em matéria de mudanças climáticas - políticas mundiais para um problema mundial. Em Poznan e, posteriormente, em Copenhague, algumas pessoas procurarão obter limites rigorosos para as emissões. Outras preferirão metas voluntárias. Muitas pedirão políticas destinadas a reduzir o desmatamento, que é responsável por cerca de um quinto das emissões de gases do efeito estufa. O investimento de US$ 17 a US$ 39 bilhões por ano seria suficiente para reduzir esta quantidade pela metade e incentivaria a criação de empregos relacionados com a proteção do meio ambiente em países tropicais como a Indonésia.

Infelizmente, não podemos escolher. Necessitamos de todas estas abordagens. Mais ainda, precisamos de liderança - uma liderança esclarecida - e de uma visão mundial acompanhada de ação. A atual crise financeira é um alerta. Requer idéias novas. Exige soluções inovadoras que levem em consideração os grandes desafios que enfrentamos como comunidade global. Não é um convite para adiar o que é necessário fazer para garantir nosso futuro. Não há mais tempo a perder.


Ban Ki-moon, Susilo Bambang Yudhoyono, Donald Tusk, Anders Fogh Rasmussen
Fonte: Valor Econômico

O Inmetro e a certificação

27/11/08 - O Inmetro desenvolve o Programa Brasileiro de Certificação de Biocombustíveis tendo como pilotis critérios técnicos preestabelecidos para a qualidade essencial do produto, bem como a repercussão socioambiental de seu mecanismo de produção.

O avanço do projeto PBCB – Programa Brasileiro de Certificação de Biocombustíveis – tem como escopo contribuir para a transposição de possíveis barreiras técnicas ao biocombustível brasileiro; viabilizar o comércio exterior e o acesso a novos mercados; incrementar a melhoria constante de sua qualidade; diminuir o impacto socioambiental provocado pelo processo produtivo; tornar o etanol e o biodiesel brasileiros mais competitivos e ainda valorizar a imagem do biocombustível nos mercados interno e externo. Visa-se, também, possibilitar que o programa seja replicado em outros países emergentes, que necessitem demonstrar a sua sustentabilidade, fator sine qua non para multiplicar a oferta e demanda mundial e a decorrente transformação do etanol em commodity internacional.

Destarte, o Inmetro estabelece como escopo proeminente a elaboração dos Regulamentos de Avaliação da Conformidade para o Etanol e o Biodiesel, com efetiva participação do segmento produtivo, instituições ministeriais, organismos regulamentadores, área acadêmica e associações de exportadores.

Os dispositivos formais do Regulamento de Avaliação da Conformidade para Etanol prevê normas, critérios e indicadores relacionados às áreas social, ambiental, trabalhista e de produção. São ainda requeridos para as usinas critérios mínimos contidos nas Normas Brasileiras de Regulamentação (NBR ISO 9001, 14001 e 16001), da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Nesta direção, haverá ainda uma etiqueta assinalando o índice de diminuição das emissões de gases causadores do “efeito estufa”, sobretudo no que tange aos combustíveis fósseis.


Wilibaldo de Sousa Junior
Fonte: Diário da Manhã - Goiânia/G

quinta-feira, novembro 13, 2008

Brasil: referência em sustentabilidade

13/11/08 - Temos a matriz energética mais limpa do mundo. O etanol é uma referência em energia renovável. Fomos abençoados com a maior diversidade de fauna e flora, além da maior reserva de recursos hídricos do planeta. Estamos na vanguarda em vários segmentos de pesquisa genética. Dispomos de uma legislação ambiental avançada. A consciência ambiental cresce à medida que entidades se fortalecem, políticas públicas se consolidam e as empresas, em número crescente, incorporam o princípio da sustentabilidade.

Lógico, que nem tudo são flores.

Há o agravante da questão do desmatamento, assim como, ainda não dispomos de uma legislação eficiente sobre áreas contaminadas e temos o grande vazio causado pela ausência de uma legislação acerca da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Também existem excessos preservacionistas, seja na ação do Ministério Público, como em setores do Executivo, além do radicalismo de alguns setores sociais que “olhando a árvore, muitas vezes ignoram a floresta” e acabam prestando um desserviço à causa ambiental.

Agora, por exemplo, estamos sujando nossa matriz energética com leilões recentes de energia nova que ampliaram a oferta de energia com base termelétrica em óleo combustível, mais cara e poluente!

Todavia, nestas próximas semanas, o Brasil será palco de uma série de eventos importantes que consolidam a oportunidade de sermos referência mundial em sustentabilidade.
A realização da Fimai - Feira Internacional de Meio Ambiente Industrial que acontece simultaneamente ao Seminário sobre Resíduos Sólidos, organizado pelo Cempre – Compromisso Empresarial pela Reciclagem, entre os dias 12 e 14 de novembro, abrem espaço para debates acerca de uma legislação inovadora em relação a questão de resíduos sólidos, para troca de experiências, além de servirem de vitrine para a exposição do que há de mais moderno em equipamentos no setor de gestão de resíduos. A capital paulista receberá delegações internacionais, onde oportunidades de negócios serão apresentadas, demonstrando o avanço da indústria de tratamento de resíduos e da consciência em torno da importância de uma gestão adequada, envolvendo diversos segmentos da sociedade.

Entre os dias 17 e 19 de novembro, também acontece o Seminário Internacional de Biocombustíveis, em São Paulo, em que Governo, Legislativo e empresários terão espaço para discutir a sustentabilidade econômica, social e ambiental da produção de etanol e de biodiesel. Acerta o governo brasileiro em tomar esta iniciativa, dando-lhe o devido peso, no momento em que surge a necessidade imediata de socorrer o setor sucroalcooleiro, em que poderemos definir estratégias de médio e longo prazos.

A capital catarinense sedia a Eco Power Conference – Fórum Internacional de Energia Renovável e Sustentabilidade, entre os dias 19 e 21 de novembro, com a proposta de reunir empresários, políticos e profissionais de diferentes áreas para debaterem novas formas de energias renováveis, sua inserção no sistema energético e a interação com o meio ambiente e a sustentabilidade.

Enquanto, Foz do Iguaçu (PR) recebe o Fórum de Águas das Américas, entre os dias 24 e 25 de novembro. Trata-se de uma iniciativa do Conselho Mundial da Água, que acontece a cada três anos em diferentes partes do mundo, dedicada a analisar políticas mundiais sobre a água e com o objetivo de responder à crescente preocupação global com a enorme pressão exercida pelas populações humanas sobre os recursos hídricos. Entre as prioridades apontadas pelos participantes, além de alocar mais recursos financeiros para viabilizar o acesso à água e ao saneamento básico, está à necessidade de cada país elaborar seu plano nacional de recursos hídricos, a exemplo do que vem fazendo o Brasil.

A realização deste conjunto de acontecimentos evidencia o papel de destaque que o Brasil adquiriu e que pode desempenhar no planeta. Estarei participando de cada um deles, recolhendo subsídios, conhecendo experiências internacionais e apresentando as questões legislativas afeitas a consolidação do princípio da sustentabilidade que estão sendo debatidas no Congresso Nacional. Não resta dúvida que precisamos adequar os atuais padrões de consumo e de produção sob a premissa de que os recursos naturais são escassos e esgotáveis. Pesa sobre os nossos ombros a responsabilidade de estabelecermos um novo padrão de desenvolvimento, que não seja imediatista, mas que esteja calcado na sustentabilidade ambiental, econômica e social.


Arnaldo Jardim
Fonte: BrasilAgro

Empresa inicia produção de diesel renovável

A Amyris Biotechnologies inaugurou sua primeira usina piloto para produzir diesel renovável No CompromiseT. O produto é chamado dessa forma porque é elaborado para ser um combustível renovável, de baixo custo e alta escala, com atributos de desempenho que igualam ou superam os combustíveis extraídos do petróleo e os biocombustíveis atualmente disponíveis.

A usina piloto, que foi concluída em setembro, é um passo importante para a Amyris atingir a meta de desenvolver e comercializar o combustível sustentável à base de hidrocarbonetos, que a empresa espera lançar em 2010.

A usina serve como porta de comunicação técnica para a comercialização no Brasil e em outros locais de produção. Ela tem por objetivo demonstrar a tecnologia da Amyris em equipamentos em processos de pequena escala que representam operações completas em escala comercial, gerar dados de engenharia essenciais para projetar usinas de grande escala da Amyris e produzir amostras de produtos para testes de desempenho.

"Este novo diesel tem todas as características para dar uma contribuição importante à tentativa de solucionar a crise global climática, energética e do transporte", disse o diretor executivo da Amyris, John Melo.

Paralelamente a essa iniciativa, a Amyris abrirá uma usina piloto maior em Campinas, São Paulo, no primeiro trimestre de 2009, onde finalizará processos para as operações brasileiras, transferirá a tecnologia às instalações de fabricação no Brasil e proporcionará suporte contínuo para otimizar a produção no País.

No início do ano, a Amyris estabeleceu uma joint-venture brasileira para trabalhar com usinas de cana-de-açúcar e produtores de combustível brasileiros e aumentar a produção do diesel. A Santelisa Vale, segunda maior produtora de açúcar e etanol no Brasil, confirmou a capacidade de moagem de 2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar para a produção inicial do diesel da Amyris.

Fonte:

quarta-feira, novembro 12, 2008

Jatos da Boeing voarão com biocombustível

11/11/08 - Nos próximos três anos deverão estar certificados os biocombustíveis que a companhia aérea Boeing pretende utilizar em seus jatos. O combustível, chamado de segunda geração, terá como matérias-primas a Jatropha curcas (planta já processada em etanol na Índia) e mesmo algas marinhas, que também já são experimentalmente processadas por pelo menos quatro companhias de pesquisas dos EUA.

O Programa de Sustentabilidade de Biocombustíveis da Boeing, segundo seu porta-voz Darrin Morgan informou à revista Wired, estão em fase bem adiantadas os processos de produção de biocombustível a partir de algas, no caso a querosene sintética. A expectativa é a de que o barril de biocombustível (a ser usado como aditivo ao combustível tradicional) custe entre US$ 100 a US$ 150. Apesar do preço ser quase o triplo do valor atual do barril do petróleo, o biocombustível é competitivo porque atende à política da companhia aérea de buscar, no curto período, a utilização de combustíveis renováveis.

Fonte: